Teles dos EUA anunciam a maior fusão da história
Agência Folha
De Nova York
A maior fusão da história, uma operação de US$ 129 bilhões, foi anunciada ontem nos Estados Unidos pelos presidentes da MCI WorldCom e Sprint. As duas são, respectivamente, a segunda e a terceira maiores empresas de telecomunicações do país. O valor do negócio é equivalente a um quinto do PIB do Brasil, ou seja, toda a riqueza produzida pelo país em um ano.
A nova empresa vai se chamar WorldCom, terá 140 mil funcionários e deverá acumular 35,8% do mercado norte-americano de telefonia de longa distância, atendendo a mais de 30 milhões de consumidores. Mesmo assim, a liderança do mercado continuará com a AT&T, que detém 44,5% de participação.
O preço total pago pela Sprint equivale ao preço-base oferecido pela MCI US$ 115 bilhões mais US$ 14 bilhões em dívidas da Sprint que a empresa vai assumir. Foi ainda acertada uma garantia de preço para as ações da Sprint, que terão seu valor compensado pela MCI caso o valor suas ações caia muito.
Com a compra, a MCI venceu a guerra de ofertas detonada no último final de semana pela Bell South Co., que acabou praticamente dobrando o preço inicial pelo qual a Sprint seria vendida.
Durante o anúncio da fusão, feito ontem em Nova York, os presidentes das empresas concentraram seus discursos na afirmação de que a nova WorlCom deverá assumir uma atitude competitiva no mercado norte-americano e oferecer mais serviços para o consumidor. Juntos vamos ser um forte competidor no mercado de telefonia celular, liderar as inovações tecnológicas e atacar o mercado local com vigor, agora que parece que o Telecommunications Act de 96 está perto de se tornar uma realidade, disse Bernard Ebbers, presidente da MCI.
A referência ao Telecommunications Act, a Lei das Telecomunicações dos Estados Unidos que regula o mercado, foi uma tentativa de reforçar o caráter competitivo da nova empresa, em resposta às preocupações de investidores e da própria FCC (Federal Communications Comission), órgão regulador do setor.
As ações Sprint, da MCI e da Bell South passaram o dia todo ontem em ligeira queda na Bolsa de Valores de Nova York. Segundo analistas econômicos norte-americanos, a queda está relacionada à insegurança dos investidores sobre como a FCC vai avaliar a fusão, além de ter sido influenciada à queda geral nas ações.
Para a MCI, a compra da Sprint representa a possibilidade de crescer no mercado de celular, no qual tem participação pequena. A Sprint tem uma rede nacional de telefonia celular, que será assimilada pela nova empresa. Já a Bell South, operadora regional que não tem autorização da FCC, para atuar no mercado de telefonia de longa distância, buscava com a compra da Sprint a oportunidade para expandir suas operações para todo o país.





