Teles celulares despencam nas bolsas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de junho de 1998
Agência Estado 
As empresas de telefonia celular completaram um mês de negociação em bolsa com forte queda acumulada. Em meio a duas crises, da Rússia e do Japão, os papéis não tiveram fôlego para manter ou elevar as cotações. Pela avaliação dos analistas Auro Rozenbaum e Régio Martins, do Deutsche Bank, não foi o cenário econômico o único responsável pela desvalorização dos papéis. Quando começaram a ser negociados, em 18 de junho, os papéis estavam supervalorizados. A queda nas cotações já era esperada. Nesse mesmo período, também as ações das teles fixas tiveram desempenho fraco, com exceção de Telesp.
Na opinião dos analistas, os atuais preços das teles refletem basicamente três pontos: a) o excesso de otimismo com as empresas celulares está diminuindo após a divulgação dos resultados iniciais das empresas, b) o mercado se ressente da falta de definição das regras de fusão para Telerj, Telemig e Telepar após a privatização e c) o mercado está descontando a redução em liquidez provocada pela cisão das teles fixas em celulares.
Os analistas afirmam, em relatório, que o mercado não conseguiu superar a quase que total ausência de informações históricas nas avaliação pré-listagem, o que acabou provocando uma supervalorização das empresas - principalmente em razão da inadequada adoção de múltiplos como método de avaliação das companhias. O Deutsche Bank esclarece que utilizou o método de fluxo de caixa descontado já que os múltiplos são insuficientes para avaliar as empresas no momento.
No caso das teles fixas, os analistas do Deutsche Bank afirmam ser difícil determinar como o mercado está avaliando o chamado risco de fusão e em que medida a liquidez está comprimindo os preços. O Deutsche Bank afirma que o impacto da liquidez está sendo refletido na diferença de preços entre as ações ON e PN, que é bastante expressiva. No caso de Telebrás, a diferença está em 32,8% (ON/PN), enquanto com Telesp, em 42%.
Na opinião dos analistas, o spread entre as ações ON e PN deve diminuir substancialmente no médio e longo prazos. O Deutsche Bank recomenda compra para as ações de Telebrás (ON e PN), Telesp fixa ( ON e PN), Telesp Celular ON, Telerj fixa ON, Telepar (ON e PN), Telepar Celular (PN e ON), Telemig fixa e Telemig celular (ON e PN). A opinião de venda é para Telesp celular PN e Telerj celular PN, enquanto as ações de Telerj fixa PN têm recomendação de manter.
Após o primeiro mês de negociação em bolsa, marcado por queda nas cotações, e a divulgação dos resultados acumulados até abril, o analista Fábio Nazari, do Banco Fonte Cindam, decidiu elevar a recomendação de Telesp Celular PNB de neutra para compra. O lucro da empresa, de R$ 154,5 milhões, foi muito satisfatório, afirma o analista em relatório.
Nazari decidiu também rebaixar de forte compra para compra a recomendação para as ações de Telebrasília Celular, embora o lucro acumulado de R$ 10,8 milhões tenha ficado muito acima da projeção, de R$ 8,8 milhões. O analista justifica a decisão pela falta de atrativos adicionais da empresa que poderiam elevar o atual nível de liquidez do papel.
Para Telepar Celular, Nazari está elevando de venda para compra a recomendação, em razão do lucro apresentado de R$ 28,7 milhões até abril, ante projeção de R$ 18,7 milhões, e da queda no papel PNB de 57% até 18 de junho, quando as ações completaram um mês de negociação em bolsa. Nazari está elevando de compra para compra agressiva a recomendação para Telerj Celular, em razão da depreciação do papel no primeiro mês de negociação. O lucro da empresa, de R$ 83,7 milhões, ficou dentro das projeções.


