Telepar entregará ações em dois meses
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaÀ vendaÁlvaro Dias, da Telepar: empresa pode alcançar melhor preço se a privatização não for em blocoOs clientes da Telepar que compraram telefone mas não receberam as ações, deverão ser ressarcidos dentro de pouco mais de dois meses. O prazo foi estipulado ontem pela Telepar. Antes, a empresa terá de fazer um aumento de capital para conseguir entregar as ações. O aumento de capital será de R$ 170 milhões e vai atender a 153 mil pessoas.
A determinação de repassar as ações para os compradores foi feita pelo Ministério das Comunicações na sexta-feira passada. O presidente da Telebrás, Fernando Xavier Ferreira, fez o anúncio oficial no final de semana garantindo que ninguém ficará sem as ações. Até um mês atrás, a Telebrás concordava em devolver em dinheiro o equivalente às ações. Mas houve protestos dos compradores.
Cada uma das subsidiárias do Sistema Telebrás deve estabelecer o calendário e a maneira como as ações serão devolvidas. No caso da Telepar, as ações estarão à disposição dias após o Conselho Administrativo da empresa autorizar o aumento de capital. Todas as pessoas que compraram uma linha a partir de 1992 até o final de junho terão as ações.
O aumento de capital se dará de duas formas. Quem comprou telefone até 24 de agosto do ano passado receberá um lote de 2.154 ações preferenciais. Pelo fechamento do pregão de ontem, o lote daria um total de R$ 1.960,00. O restante, que comprou linhas a partir de agosto, receberá um lote de 1.615 ações. O que dá R$ 1.470,00 (valores de ontem).
A diferença se deve a uma mudança na portaria do governo federal que alterou a quantidade de ações adquiridas. Até agosto, a portaria definia o valor patrimonial como base de cálculo, afirmou o presidente da Telepar, Álvaro Dias. O cálculo do número de ações ainda está sujeito a alteração por parte da Telebrás.
PrivatizaçãoQuanto à alteração do processo de privatização das Teles - que será feito em três etapas e não mais individualmente - o presidente da Telepar disse que, para o Estado, a mudança não foi benéfica. Se a privatização se desse em partes, acho que teríamos uma valorização melhor da empresa, afirmou Dias. A proposta anunciada pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, era privatizar todas as 27 subsidiárias de uma única vez, como aconteceu com a Banda B da telefonia celular.
Ontem, o BNDES anunciou que a privatização se dará em três fases, garantindo um preço melhor para a venda. Pelo projeto original do ministério, a Telepar seria uma das últimas a ser vendida. A prioridade seria para as empresas deficitárias e com problemas estruturais. Com um valor patrimonial de R$ 1,5 bilhão (número divulgado pelo balanço de dezembro de 96) e com um investimento previsto de R$ 3,1 bilhões em três anos, a Telepar é considerada uma das primeiras no ranking do Sistema Telebrás, em faturamento.


