O presidente da Telepar, Luiz Mário Lampert Marques, estima que num período de um ano o Paraná terá uma segunda empresa a explorar o serviço de telefonia convencional. Com a abertura do setor, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) permitirá que cada Estado tenha duas empresas na disputa de mercado. A concessão poderá ser dada a partir da próxima semana, quando se encerra o processo de privatização do Sistema Telebrás.
Marques acredita que a exploração da telefonia despertará o interesse imediato pelo Paraná de grupos nacionais ou internacionais. E por essa razão, a Telepar terá que correr contra o relógio para não perder competitividade. ‘‘Teremos que vender serviços e não mais esperar que os clientes venham até nós, porque agora vamos competir com outras’’, afirmou, ontem, em seu último discurso como presidente da estatal.
A concessão da ‘‘Telepar do B’’, como foi apelidada pela diretoria da empresa para se referir à concorrente, está sendo estimulada pela Anatel. A empresa ou grupo que conseguir a concessão poderá se instalar com um sistema mais barato de investimento, que é a telefonia pelo sistema Wireless Local Loop (telefone sem fio, que funciona com estações rádio-base). A Telepar privatizada não tem autorização para usar essa tecnologia, tendo de continuar com o sistema convencional.
Com a entrada de mais uma empresa de telefonia no Estado, Marques aposta no aumento da competição, que num segundo momento representa melhoria do serviço ao usuário. Hoje, a Telepar tem 1 milhão de terminais telefônicos instalados em todos os municípios do Estado. A meta é instalar mais 200 mil terminais a cada ano até 2005, necessitando para isso um investimento anual de R$ 260 milhões.
Outra meta considerada arrojada é a redução do preço da tarifa, que terá que cair em 13% nos próximos cinco anos. A Telepar avalia que a privatização vai viabilizar uma redução de custos de operação de até 25% nos próximos meses, permitindo o reajuste de tarifas. ‘‘Vamos nos livrar da Lei 8.666 (lei de licitações públicas), que nos obrigava a fazer concorrência para comprar até parafuso. Isso encarecia o serviço’’, exemplificou o presidente da Telepar.
A empresa paranense de telefonia, que faz parte da Tele Centro-Sul tem cinco grupos principais interessados na privatização. Durante o ano passado, a Telepar foi visitada pelas empresas internacionais France Telecom, Portugal Telecom, Telefonica Espa¤a, Stet (Itália) e pelas nacionais BRT (Brasil) e Inepar. A Inepar, que tem sede em Curitiba, disputa o leilão de privatização em outros cinco consórcios.

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