Telenovelas ditam hábitos de consumo
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sábado, 20 de novembro de 2004
Marcia Furlan<br>Agência Estado 
São Paulo - As telenovelas são a principal referência sobre moda para o consumidor brasileiro e superam até mesmo as revistas femininas. Quase 38% da população admite que os folhetins na TV influenciam diretamente o seu consumo e apenas 17,6% dizem que não sofrem interferência alguma. Já um contingente de 44,7% alegam que a influência sobre seus hábitos de consumo varia de uma produção para outra.
Os dados são de uma pesquisa realizada pela Store Gestão & Marketing, administradora de shoppings com sede em Porto Alegre (RS), que realiza pesquisas de varejo na capital paulista. O levantamento envolveu 3 mil pessoas, 56,1% mulheres e 43,9% homens, das regiões norte, sul e oeste de São Paulo, pertencentes às classes A, B e C. O objetivo era avaliar a influência da novela no consumo e no comportamento.
A maior interferência ocorre nas escolha das roupas: 48,5% dos entrevistados afirmaram que se pautam nos folhetins para escolher peças do vestuário. Outros 37% disseram que são influenciados na escolha de CDs e 28,5% usam os penteados e cortes de cabelo da novela como modelo. Os telespectadores se orientam também pelas maquiagens (20,9%), acessórios (18,6%), bijuterias (15,5%), calçados (13%), esmaltes (11,8%), alimentos (9,5%) e produtos de beleza (7,5%) usados pelos atores e atrizes.
Até os objetos de decoração que compõem os cenários exercem seu poder: 24,2% das pessoas procuram peças ou estilos iguais. Em menor grau, operadoras ou aparelhos de telefonia celular, carros, produtos de limpeza, perfumes, artigos esportivos e aparelhos eletroeletrônicos que aparecem na TV também interferem na decisão de compra.
O poder de influência se verifica ainda nos valores desembolsados pelos espectadores. Para comprar os produtos que apareceram na TV, 38,6% gastam até R$ 50; 21,3% admitem pagar mais de R$ 200 por eles. Nas faixas intermediárias, estão 24,3% que gastam entre R$ 51 e R$ 100; 8,3% que gastam de R$ 101 a R$ 150; e 7,5% que ficam entre R$ 151 e R$ 200.
Os shoppings são os locais preferidos onde as pessoas recorrem na hora de comprar os produtos que viram na novela: 44% afirmaram que é para lá que se dirigem. Outros 22,7% vão a lojas de rua e 17,5% a hiper e supermercados. Existe ainda uma parcela de 10,6% que compra em camelôs. Segundo o diretor da Store, Paulo Roberto Pretto de Oliveira, como a principal influência é sobre a escolha de roupas, acessórios e bijuterias, era esperado que os shoppings fossem os locais preferidos dos espectadores.
Os próprios consumidores reconhecem o papel da novela como lançadora de moda e modismo, opinião compartilhada por 64,7% dos entrevistados. Mas eles enxergam também outras funções do folhetim, como a de abordar assuntos atuais (55,1%), o momento em que a família se reúne (31,4%), uma forma de lazer (28,5%).


