Maurício Borges
enviado a Telêmaco Borba
Depois de alguns anos de planejamento, o município de Telêmaco Borba, situado na região dos campos gerais (centro-sul do Paraná), está preparado para cumprir uma vocação, que suas autoridades e líderes empresariais definem como natural, diante de seu perfil econômico. A cidade está investindo para tornar-se um pólo de indústrias moveleiras, acreditando na potencialidade de Telêmaco Borba como maior produtor nacional de madeiras provenientes de reflorestamentos.
A matéria-prima para esse ramo industrial existe em larga escala em Telêmaco e em mais de vinte municípios da região, que concentram o maior reflorestamento de pinus, araucária e eucalipto do País. ‘‘De nossa extensa e bem planejada base florestal, abastecemos indústrias moveleiras de Arapongas e de Rio Negrinho e São Bento do Sul, em Santa Catarina, e por que não constituir aqui um pólo moveleiro, reduzindo custos de transporte e gerando empregos e renda no município?’’, indaga o prefeito Carlos Hugo Woff Von Graffen, empresário do ramo madeireiro.
O município, que teve seu desenvolvimento alavancado pela Klabin do Paraná, maior indústria de celulose e papel da América Latina, tem 26 anos e uma população estimada em 75 mil habitantes, constituindo-se num dos que mais arrecadam impostos no Estado. A necessidade de buscar outras alternativas de emprego no município também foi desencadeada pelo processo de automação industrial, iniciado há alguns anos pela Klabin. A empresa, que chegou a gerar mais de 12 mil empregos diretos, hoje mantém cerca de 2.500 postos de trabalho. ‘‘Esse processo, pelo qual passou a maioria das indústrias do País, provocou um grave problema social no município e isso, por si só, justifica o nosso plano de diversificação na área industrial’’, avalia Carlos Hugo.
Outro aspecto positivo que ele destaca é a disponibilidade de mão-de-obra especializada para o ramo moveleiro. Atualmente, já existem cerca de 500 trabalhadores formados em cursos direcionados para esta área, através do Centro Tecnológico de Formação de Mão-de-obra Especializada em Madeira (Cetmam). O centro foi viabilizado através de uma parceria firmada entre o Município, a Klabin e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Com a disponibilidade de matéria-prima, a criação de um novo parque industrial – destinado exclusivamente ao ramo moveleiro –, mão-de-obra especializada e diversos tipos de incentivos fiscais, Telêmaco Borba acredita que a nova proposta tem chances de vingar. Prova disso é o interesse despertado de imediato junto a empresários de Arapongas, Rio Negrinho e São Bento do Sul.
Além das primeiras empresas do ramo já instaladas no município, a Secretaria de Indústria e Comércio já tem cadastrados vinte e dois projetos para implantação de indústrias moveleiras. Empresas locais, de outros ramos industriais, também admitem a possibilidade de investir nesta área. Um grupo empresarial de Londrina está em vias de iniciar a construção de uma grande indústria de móveis em Telêmaco. ‘‘Outros quatro investidores locais já reservaram área para novas indústrias e continuamos mantendo contatos com empresários de Rio Negrinho e São Bento do Sul’’, anuncia o prefeito.Região, que concentra maior reflorestamento de pinus, araucária e eucalipto, quer aproveitar vocação natural e se industrializar
Odair StraliottVOCAÇÃO NATURALParque industrial de Telêmaco Borba: matéria-prima é farta em pelo menos 20 municípios da região. Ao lado, uma das áreas de reflorestamento, que poderá abastecer as novas indústrias de móveis

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