Telefónica busca liderança na UE
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quinta-feira, 04 de maio de 2000
Alan Cane David White Do Financial Times 
A Telefónica, grupo espanhol de telecomunicações, está à procura de uma aquisição que transforme seu status. Ninguém descreveria Juan Villalonga, presidente da Telefónica, como tímido. Há apenas quatro anos no cargo, ele já alega ter transformado o ex-monopólio de telefonia espanhol em um dos mais expansivos grupos europeus de telecomunicações. A posição mais débil da Telefónica está acima da França, diz Oscar Andreu, da Schroders Salomon Smith Barney. Ela é a número um na Espanha e na América Latina, mas precisa aumentar sua presença nos Estados Unidos e na Europa.
O desafio está no cerne das negociações da Telefónica com a KPN, da Holanda, que poderia resultar na união total ou parcial das duas companhias. Se isso acontecesse, seria a primeira fusão transnacional entre operadoras de telefonia antes monopolísticas em seus mercados. Os especialistas do setor dizem que as negociações com a KPN nas quais o grupo espanhol se envolveria como sócio dominante parecem mais sérias do que suas tentativas anteriores, que teriam incluído negociações com a British Telecom.
Eles acreditam, porém, que um acordo com a KPN representaria apenas parte da estratégia de alianças da Telefónica. O grupo espanhol está sinalizando que futuras parcerias serão definidas pelas áreas de negócios envolvidas. Para tornar essa idéia viável, a empresa está passando por uma reorganização radical e criando divisões mundiais para cuidar de seus interesses em telefonia fixa, telefonia móvel, mídia e outros negócios. O acordo com a KPN provavelmente se concentraria no setor de telefonia móvel. Há necessidade de urgência. A Vodafone, do Reino Unido, surgiu como líder mundial do setor de telefonia móvel por meio de duas ousadas aquisições: a da AirTouch, dos Estados Unidos, e a da Mannesmann, da Alemanha, nos últimos dois anos. Se ninguém a contestar, ela certamente dominará o mercado mundial dos serviços de telefonia móvel da próxima geração, que incluirão acesso móvel à Internet.
A emergência de uma operadora de telefonia móvel pan-européia, envolvendo tanto Telefónica quanto KPN, representaria o primeiro desafio sério ao domínio da Vodafone. Isso poderia apressar a consolidação entre as companhias restantes de telefonia móvel na Europa: a Orange, do Reino Unido, Sonera, da Finlândia, Sonofon, da Dinamarca, Telecom Italia Mobile e Bouygues, da França. As negociações com a KPN aumentam a probabilidade de uma oferta liderada pela Telefónica para a aquisição da Orange.
Essa seria uma rota alternativa para o muito procurado mercado britânico, depois que a Telefónica se retirou das dispendiosas rodadas finais do leilão oficial britânico por licenças de operação de serviços de telefonia móvel da próxima geração.
Em sua busca por outras oportunidades de próxima geração, a companhia já se associou à Orange em um consórcio que tenta obter licenças na Alemanha. O estilo autocrático de gestão que Villalonga adotou é controverso, mas, até agora, tem demonstrado sucesso. Desde que ele assumiu, a capitalização de mercado da companhia sextuplicou, para mais de US$ 80 bilhões. A tomada de controle integral sobre as afiliadas do grupo no Brasil, Argentina e Peru deve elevar esse total a mais de US$ 100 bilhões. Abrindo o capital da divisão de Páginas Amarelas e da Terra Networks, sua empresa de Internet, no ano passado, acredita-se que ele tenha acrescentado US$ 40 bilhões ao capital da companhia.


