Curitiba Pelo segundo ano consecutivo, a telefonia fixa deve liderar o ranking de reclamações na Coordenadoria de Defesa do Consumidor do Paraná (Procon-PR). O órgão contabilizou, de janeiro a novembro deste ano, 35.452 atendimentos a consumidores que tinham dúvidas ou reclamações envolvendo o setor de prestação de serviços. Desse total, 8.887 atendimentos recaíram sobre as operadoras de telefonia fixa.
A Brasil Telecom foi a campeã, ficando com quase 80% das reclamações ou 7.044 atendimentos. Segundo o coordenador do Procon PR, Naim Akel, a maioria dos casos envolvendo a concessionária foram referentes a dúvidas sobre cobrança de serviços e cobranças indevidas. As outras 1.843 demandas ficaram divididas em ordem descrescente de número de reclamações entre a Embratel, GVT e Intelig. Ainda no setor de serviços, a telefonia celular ficou com o segundo lugar.
Akel diz que reconhece o esforço que a Brasil Telecom empreendeu, este ano, para melhorar o relacionamento com os Procons. ''Mas demorou muito. Se não houver investimento maciço em qualificação, não vai ser a propaganda que vai reverter essa imagem negativa'', ponderou. Ele sugere a reabertura de escritórios de atendimento e reativação da ouvidoria como alternativas para a empresa melhorar o relacionamento com os consumidores.
De acordo com Akel, a segunda posição em reclamações que ''tradicionalmente'' era ocupada pelo setor de produtos, este ano, ficou com os assuntos financeiros. Estão inseridos nesse contexto os bancos, financeiras, administradoras de cartão de crédito, empresas de cobrança, seguradoras e crediários de lojas.
Para Akel, as taxas de juros estão altas há muito tempo. O que mudou, na verdade, foi que as pessoas passaram a reclamar mais. A própria conduta do judiciário, que passou a tratar esse assunto de forma diferenciada, avaliou o coordenador, fez com que os consumidores se sentissem mais amparados para reclamar seus direitos.
Os dados, ainda parciais, seguem a tendência do balanço divulgado recentemente pelo Procon-PR no Cadastro de Fornecedores, correspondente ao período de janeiro de 2001 e setembro de 2002. O levantamento considera apenas os atendimentos que geraram processos administrativos. Dos cerca de 120 mil atendimentos anuais, entre 10% e 15% não são resolvidos na fase de negociação, informou Akel.
Entre janeiro de 2001 e setembro de 2002, foram concluídos 9.442 processos administrativos, dos quais 9.078 foram resolvidos e outros 364 não tiveram solução. Os dez assuntos mais reclamados pela população, conforme o cadastro, foram: telefonia fixa, 2.164 reclamações; telefonia celular, 464 processos; cemitérios, 404 processos; bancos com 313; cartão de crédito, 296; fornecimento de energia, 289; editora (assinatura de periódicos), 266; serviço de água e esgoto, 253; venda e compra de veículos, 234; escola (particular e faculdade), com 185.

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