Telefonia celular puxa receita do setor de componentes
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Epaminondas Neto<br>Folhapress 
São Paulo - O faturamento da indústria de componentes elétricos e eletrônicos deve atingir R$ 79,5 bilhões neste ano, o que representa um crescimento de 24% sobre o ano anterior. Segundo balanço divulgado ontem pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o incremento do setor foi puxado principalmente pela área de telecomunicações, que apresentou um salto de 51%, com destaque para o segmento de telefonia celular.
De acordo com a Abinee, neste segmento houve a incorporação de novas tecnologias e a expansão da base de terminais, que antecipou para este ano o cumprimento da meta de 2005 (60 milhões de aparelhos).
A associação também destacou a retomada dos setores que estavam praticamente paralisados em 2003, como material elétrico de instalação e Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD), que registraram taxas de crescimento de 29% e 24%, respectivamente.
O segmento de materiais de instalação foi beneficiado principalmente, pela retomada do setor de construção civil. A área de GTD foi prejudicada, em parte, pelo atraso na definição do modelo regulatório do setor elétrico (somente promulgado em outubro), o que atrasou os investimentos na área.
Por outro lado, o início dos leilões de linhas de transmissão bem como a equalização das dívidas de algumas empresas do setor permitiu o crescimento da capacidade de investimento e o aumento das encomendas para o setor. O volume de investimentos do setor eletroeletrônico deve atingir R$ 2,4 bilhões neste ano, o que aponta um salto de 24% sobre os números do ano passado.
A balança comercial deve ficar deficitária em US$ 7,4 bilhões neste ano -número 42% superior ao resultado de 2003- que é a diferença entre exportações de US$ 5,1 bilhões e importações de US$ 12,5 bilhões. Componentes elétricos e eletrônicos foram os produtos mais exportados (US$ 1,9 bilhão) ao mesmo que responderam também pela maior parte da pauta de importações (US$ 7,8 bilhões).
Projeções - Para 2005, a associação projeta um faturamento de R$ 94 bilhões, um avanço de 18% sobre o resultado previsto para este ano. Programas governamentais, como o estímulo à geração de energia por meios alternativos e a expansão da rede elétrica e popularização, permitem antever um aumento do nível de encomendas neste ano.
O volume de investimentos pode atingir R$ 2,8 bilhões no próximo ano, o que significaria um salto de 18% sobre o estimado para este ano. A balança comercial deve continuar deficitária em 2005, desta vez em US$ 9 bilhões, um aumento de 22% sobre o saldo negativo de 2004, resultado de exportações projetadas em US$ 5,5 bilhões e importações de US$ 14,5 bilhões.


