Telefonia celular melhora estatísticas de inclusão digital
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de agosto de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
A telefonia móvel tem melhorado as estatísticas do acesso da população brasileira às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Brasil esteve acima da média mundial no acesso às tecnologias, com índice de 51,25%. Quando são retiradas as estatísticas de celular, o índice cai 12 pontos percentuais, passando para 39,3%.
A importância da telefonia celular na inclusão digital da população foi ressaltada por Marcelo Neri, coordenador da pesquisa que chegou ao Índice de Telefonia, Internet e Celular (ITIC) brasileiro, divulgado esta semana. O índice, aplicado a 150 países e 5,5 mil municípios brasileiros, estados, capitais e seus bairros, foi calculado incluindo-se ou não a telefonia celular, revelando diferenças, às vezes, relevantes em alguns países e estados. ''Fizemos isso só para enfatizar o papel que o celular tem. O equipamento é o principal fator de inclusão em áreas mais excluídas'', declarou Neri.
De acordo com o coordenador da pesquisa, em alguns países, o índice de inclusão passa a ser 15 a 30 vezes menor quando retiradas as estatísticas de celular. Enquanto os menores índices estão em países como República Centro-Africana (5,5%), Burundi (5,75%) e Etiópia (5,5%), o cenário muda de figura quando são retirados estes dados. Os países com menor índice passam a ser então Madagascar (0,3%), Guinea (0,3%) e Togo (0,7%).
Dentro do território brasileiro, alguns estados como o Maranhão apresentaram diferenças notáveis na comparação dos índices: 26,87% com celular e 14,81% sem celular. ''Até a Anatel veio corroborar minha opinião de que a cobertura de voz tem mesmo seus problemas, mas é preciso tirar o chapéu para ela. Realmente temos uma cobertura de voz muito grande em regiões que nem imaginei que teria'', opinou Vanderlei Rigatieri, diretor de uma expedição que percorreu o Brasil com o apoio da Associação Brasileira de Internet (Abranet) para qualificar e quantificar o acesso à internet no País. Ele cita, por exemplo, uma cidade do Mato Grosso de apenas 9 mil habitantes formada, principalmente, por sem-terras. ''Lá havia telefonia móvel. Em todos os lugares que eu fui, havia pelo menos uma operadora de telefonia celular.''
O Centro-Oeste, na sua opinião, é a única região que mais carece de qualidade na cobertura de telefonia móvel. ''Dos seis estados que passei o pior é o Mato Grosso. São cidades distantes umas das outras com região de mata muito grande.''
A taxa de cobertura de domicílios com celular no Brasil chega a 87%, acima da média mundial de 79,96%. Já a telefonia fixa cobre apenas 38% dos domicílios e teve queda de 14,2% no crescimento nestes últimos oito anos. O acesso à telefonia móvel cresceu 165% neste mesmo período.
Vice-presidente da Sercomtel, Eloíza Pinheiros atribui à grande oferta de aparelhos e de planos de telefonia celular e dados a inclusão de pessoas de baixa renda que não tinham acesso a estes serviços antes. ''A população de baixa renda é o grande consumidor de planos pré-pagos.'' Ela cita plano pré-pago da operadora que chega a custar R$ 10 ao mês para fazer ligações e usar a internet pelo celular, mais barato que um plano de telefonia fixa, que não custa menos que R$ 29.
Aparelhos com acesso à internet também já podem ser encontrados com preços abaixo R$ 100, ela acrescenta. ''Quase todo mundo hoje pode ter um aparelho para acessar a internet. E não precisa nem ter 3G. Pode acessar da rede Wi-Fi e não pagar nada.'' A concessionária instalou pontos de acesso Wi-Fi espalhados pela cidade que permitem usar a internet gratuitamente. Planos de internet fixa também não custam menos de R$ 29, embora o acesso à web pelo celular se restrinja apenas a alguns tipos de tarefa, como acesso a e-mail, redes sociais e notícias.
No Paraná, o ITIC sem os dados referentes ao celular é de 45,19%; com chega a 55,79%, mantendo-se na quinta posição do ranking nacional. Londrina sem celular teria o índice de 63,01%, posicionando-se na 26 colocação do ranking nacional. Com celular, no entanto, fica atrás de 29 cidades com índice de 69,60%.



