Brasília - O telefone popular da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) começa a ser oferecido hoje pelas empresas de telefonia em 32 cidades, até mesmo São Paulo e outros oito municípios do Estado. Mas o novo telefone fixo pré-pago nasce sob bombardeio dos órgãos de defesa do consumidor, que o consideram desvantajoso para a população de baixa renda por ser muito mais caro que o aparelho convencional.
O telefone popular, chamado Acesso Individual Classe Especial (Aice), apesar de ter uma taxa de assinatura básica 40% mais barata que a do comercial, que é, em média, de R$ 40,00, traz pouca vantagem para o consumidor. Quem contratar esse serviço não terá direito a nenhuma ligação local gratuita, uma vez que não tem franquia, e também não poderá receber chamadas a cobrar. ''O consumidor vai pagar mais de R$ 20,00 só para receber chamadas'', avalia a representante da Associação do Consumidor ProTeste, Flávia Lefèvre.
Outra grande questão é o custo da ligação. Para fazer uma chamada, além do tempo do telefonema, o cliente do Aice terá de pagar uma taxa adicional equivalente a dois minutos de ligação, cerca de R$ 0,20. Como o valor do minuto é de, aproximadamente, R$ 0,10, uma ligação de cinco minutos, que deveria custar R$ 0,50, custará R$ 0,70. Lefèvre acredita que muitos serão induzidos a contratar esse telefone pelo baixo valor da assinatura ''e, provavelmente, vão fazer uma escolha que não é boa para elas''.
A representante da ProTeste dá até mesmo um conselho para que a população de baixa renda não contrate o Aice. ''Não vale a pena para ninguém.'' Na opinião de Lefèvre, é melhor esperar que o Congresso aprove o projeto do telefone social, proposto pelo governo, que, segundo ela, é mais adequado para as famílias que ganham até três salários mínimos. Até lá, ela acha que é melhor continuar usando o celular pré-pago, que não tem cobrança da taxa de assinatura.

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