A Telebrás reduzirá o valor das tarifas telefônicas no ano que vem, antes da privatização das empresas do setor. Para os grandes clientes, a estatal não prevê mais aumentos dos preços de seus serviços e essa tendência pode ser estendida para os pequenos consumidores. Segundo o diretor de Serviços da Telebrás, Daltron Magalhães, já existem pressões para reduzir os valores cobrados. ‘‘A Telebrás vai ter que se adaptar à competição e vamos querer competir’’, disse Magalhães. ‘‘Não há dúvida de que vamos ter que baixar os preços.’’
Uma das pressões existentes é a própria competição indireta entre a banda B e a telefonia convencional. Segundo Magalhães, um exemplo é o valor da tarifa de comunicação interurbana celular apresentada pela Americel, que ganhou a licitação da área 7 (Centro-Oeste, Acre e Rondônia): é inferior à tarifa interurbana cobrada pelas empresas do sistema Telebrás. ‘‘As pessoas podem preferir fazer ligações interurbanas pelo celular, ao invés de usar o sistema fixo da Telebrás’’, explicou.
Já prevendo a competição, a Telebrás está mudando sua forma de contato com a clientela. A norma será, já a partir de agosto, atrair e conservar os grandes clientes, como bancos, indústrias e multinacionais. Em outubro, a estatal irá promover uma modificação na estrutura de atendimento, priorizando mercados e demandas distintas, separada dos clientes comuns. ‘‘Vamos ter uma unidade de negócio voltada para segmentos de mercado’’, adiantou Magalhães.
Para esses grandes clientes, a empresa quer adotar uma política de descontos nas tarifas, proporcionar atendimento individualizado e oferecer serviços especiais. ‘‘Sabemos que vamos perder mercado com a privatização, e nossa obrigação é valorizar o sistema Telebrás’’, explicou o diretor da estatal. A lógica da Telebrás é ter no seu cadastro de clientes, antes da desestatização, as maiores empresas do País.
Quanto mais o grande cliente usar os serviços da Telebrás, mais barato ficará o custo para ele. ‘‘Vamos dar descontos para os clientes mais fiéis’’, admitiu Magalhães. A política de descontos, porém, não será divulgada, em razão da concorrência com os futuros operadores privados. ‘‘Já estamos terminando nossa política de descontos’’, afirmou o diretor de serviços.
Os clientes comuns, porém, ainda não são prioridade para a empresa. ‘‘Dependendo do tempo de vida que vamos ter, iremos criar serviços especiais para os pequenos consumidores’’, admitiu Magalhães, citando o tempo que falta para a privatização das empresas, o que deverá ocorrer até o final de 1998.
Ele inclui pacotes de descontos para os clientes comuns que tenham demandas diferenciadas de telefonia. Quem usar mais, por exemplo, também terá descontos. A Telebrás poderá comercializar serviços comuns à telefonia celular, como a secretária eletrônica e o ‘‘follow me’’, que faz com que o cliente possa ser localizado em outros telefones pelo seu próprio número.

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