BRASÍLIA - A Telebrás deseja conhecer o real potencial do mercado de telefones do País e já decidiu contratar uma empresa de consultoria internacional para realizar essa pesquisa específica. O trabalho deverá ter início em dois meses. A consultoria vai fazer exercícios de simulação com preços variados da linha telefônica e identificar a capacidade de mercados pouco explorados, como o da telefonia rural.
Segundo o diretor de Serviço da Telebrás, Daltron Magalhães, a empresa vem trabalhando com números que são pouco confiáveis. A partir de uma comparação com a densidade de telefones na Argentina - 20 em cada 100 argentinos têm uma linha telefônica enquanto no Brasil a relação cai a 10/100 -, a Telebrás estima que poderia duplicar a sua planta, chegando aos 30 milhões de terminais em operação. A redução de 73,14% no preço da linha telefônica (de R$ 1.117,63 para R$ 300,00) deve impulsionar ainda mais a demanda.
‘‘Espera-se aumento da demanda, visto que houve variação significativa no preço’’, afirmou Magalhães. Dimensionar o potencial do mercado brasileiro de telefones é, mais do que um instrumento importante para administração da Telebrás, um atrativo para os investidores privados interessados na privatização das telecomunicações brasileiras. Além do controle acionário do Sistema Telebrás, o governo vai vender um mercado bilionário ainda não totalmente explorado.
Receita A receita de exploração da Telebrás deve aumentar cerca de 30% este ano, chegando aos R$ 16 bilhões, segundo Magalhães. Um dos fatores que impulsionará esse aumento de receita, além do reajuste tarifário de abril, é o fim do autofinanciamento. Magalhães esclareceu que o autofinanciamento não era contabilizado como ‘‘receita de exploração’’, mas a tarifa de habilitação o será. O autofinanciamento foi criado como uma forma de empréstimo em que os assinantes garantiriam a maior parte do custo de instalação da linha telefônica em troca de ações da Telebrás. É uma estratégia para obter recursos para investimentos que, no entanto, deixou de interessar à nova Telebrás. O pagamento de dividendos de uma empresa que obtém a cada ano lucros maiores e a valorização contínua das ações da Telebrás nas bolsas de valores tornaram essa estratégia pouco viável.
‘‘Com o valor de mercado da ação, essa é uma forma cara de empréstimo’’, afirmou Magalhães. Segundo o diretor da Telebrás, a empresa tem hoje recursos próprios para investimentos e ofertas para captação de dinheiro no exterior a custos muito melhores. Apenas este ano, os investimentos da Telebrás devem chegar a R$ 8 bilhões. Para cumprir essa meta, a empresa deve lançar, no segundo semestre, mais de US$ 500 milhões em bônus no mercado americano.
Segundo Magalhães, o autofinanciamento representa atualmente apenas 20% dos recursos de investimentos da Telebrás. O fato de o governo ter apenas apenas 50,04% das ações da Telebrás com direito a voto também motivou a extinção do autofinanciamento, uma vez que a alternativa de aumentar o capital da empresa seria pouco aconselhável às vésperas da sua privatização.

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