Telebrás libera telefonia compartilhada
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Agência Estado de Brasília 
Arquivo FolhaCusto menorOutra vantagem do uso da linha consorciada é que o valor pago pela aquisição também é dividido por quatroAs famílias de baixa renda, moradores de vielas, vilas, conjuntos de apartamentos e até favelas poderão ter acesso à telefonia, pagando menos que o preço de uma linha normal. Depois do Carnaval, a Telebrás vai mandar para suas concessionárias um comunicado com as normas e autorizando a instalação da telefonia multicompartilhada, um sistema que já vem sendo operado clandestinamente em áreas urbanas habitadas por pessoas de baixo poder aquisitivo e em condomínios. O novo sistema tem como público potencial cerca de 14 milhões de famílias com renda mensal entre R$ 300 e R$ 1.000 em todo o País.
A telefonia compartilhada permite que até quatro pessoas, residentes em casas diferentes, formem uma espécie de consórcio e utilizem simultaneamente uma única linha telefônica. Cada um terá conta individual e o seu nome constará da lista telefônica individualmente. A diferença é que o número telefônico será comum aos quatro. Por ser apenas uma linha telefônica, não será possível que todos usem o telefone ao mesmo tempo. Será como uma central PABX de tronco único, explicou o presidente da Telebrás, Fernando Xavier.
Os custos de compra da linha (o autofinanciamento, hoje de R$ 1.117,63), em consequência, serão divididos por quatro, quando eles adquirirem a linha telefônica da operadora estadual. Para a operadora será uma linha só, afirma Xavier. Segundo a Telebrás, nesses casos não haverá a emissão de ações. Será cobrada a assinatura básica normal pela linha (hoje R$ 2,70), mais pulsos locais excedentes e chamadas de longa distância. Cada conta será cobrada individualmente. A central telefônica de tronco único será alugada pelo valor de duas assinaturas básicas.
As comunidades também poderão recorrer a uma empresa intermediária, qualificada pela Telebrás como representante na negociação. Neste caso, os valores de acesso à linha telefônica e de aluguel de equipamentos serão fechados entre a comunidade e a empresa que a representa. As contas serão faturadas por essa empresa em nome da comunidade a ser atendida. A Telebrás esclarece, porém, que os interessados deverão entrar na fila dos planos de expansão comuns das concessionárias.
Será fornecido serviço de boa qualidade, por que são usuários de baixo tráfego, diz o presidente da Telebrás. Será um momento importante para garantir a democratização do serviço e regularizar situações que sabemos que existem, e são irregulares. Atualmente, famílias nas áreas urbanas menos privilegiadas alugam uma linha telefônica no mercado paralelo e adquirem uma central telefônica simples, distribuindo ramais para cada uma das casas que entraram na sociedade.
A empresa identificou que só agora existem equipamentos apropriados para atender a telefonia compartilhada dentro de certos parâmetros de qualidade, esclareceu Xavier. De acordo com o presidente da Telebrás, a empresa vai trabalhar em cooperação com os fornecedores de equipamentos da iniciativa privada e com empresas que venham a se qualificar para atender comunidades interessadas na telefonia multicompartilhada.


