Arquivo FolhaFerreira, da Telebrás:
ações das ‘teles’
celulares ficam
embutidas nas fixasA Telebrás realizou ontem a cisão de 24 das suas 26 subsidiárias estaduais e anunciou um artifício para evitar que as ações dessas companhias se desvalorizem a partir de segunda-feira, quando estará em vigor a nova estrutura aprovada pelas assembléias de acionistas.
Com exceção da Telebrasília (DF) e da Telepar (PR), cada uma das ‘‘teles’’ estaduais foram separadas em duas companhias distintas: uma para operações de telefonia fixa e outra para operações de telefonia celular. O presidente da Telebrás, Fernando Xavier Ferreira, anunciou ontem que as ações das ‘‘teles’’ celulares ficarão embutidas nas das ‘‘teles’’ fixas até que elas passem a ser negociadas de maneira independente, o que deverá acontecer dentro de 60 dias.
‘‘Foi uma solução que se encontrou para evitar que ocorra a perda de liquidez (das ações)’’, disse o presidente da Telebrás. ‘‘O mesmo papel vai representar as duas empresas. As ações das ‘teles’ fixas incorporarão as das ‘teles’ celulares’’, completou.
A cisão das ‘‘teles’’ faz parte do processo de privatização do setor telefônico, conforme modelo estabelecido pelo Ministério das Comunicações. As assembléias da Telebrasília e da Telepar foram suspensas por causa de liminares concedidas pela Justiça Federal no Distrito Federal e no Paraná. A desvalorização dessas ações fora prevista há cerca de uma semana pelo próprio presidente da Telebrás, pois a cisão do sistema implicou na transferência de patrimônio das ‘‘teles’’ fixas para as ‘‘teles’’ celulares.
De acordo com dados divulgados ontem pela Telebrás, as ‘‘teles’’ celulares recém-criadas absorveram 13,3% do patrimônio que pertencia às companhias antes da cisão - incluindo os números da Telebrasília e da Telepar. Xavier Ferreira confirmou que as ‘‘teles’’ celulares terão investimentos de R$ 1,2 bilhão até o próximo mês de agosto, quando o governo espera ter privatizado todo o Sistema Telebrás. A União espera arrecadar entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões com essa privatização.
Atualmente, sete empresas estaduais de telefonia negociam suas ações nas Bolsas de Valores: Telesp, Telerj, Telebahia, Telemig, Telepar, Telebrasília e CTBC (que não participou da cisão). O presidente da Telebrás explicou que as ações das ‘‘teles’’ celulares dessas empresas - com exceção da CTBC - também serão negociadas nas Bolsas. As demais continuando sendo negociadas entre seus proprietários, caso não haja a decisão de lançá-las no mercado aberto.

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