José Paulo Lacerda/Agência EstadoComparandoO ministro das Comunicações, Sérgio Motta, ‘‘A Vale, na primeira etapa, irá valer apenas R$ 4 bilhões.’’O sistema Telebrás está avaliado em aproximadamente R$ 80 bilhões e quando for privatizado irão para os cofres do governo entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões. A informação foi dada ontem pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, durante entrevista coletiva na qual anunciou a criação da Comissão Especial de Supervisão para acompanhar a privatização do Sistema Telebrás. A comissão reunirá técnicos do ministério e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O ministro também anunciou que o processo de privatização do sistema Telebrás foi alterado. Segundo ele, logo após a privatização das quatro holdings, nas quais serão agrupadas as 27 empresas estaduais de telecomunicações, será autorizada a entrada de mais três ou quatro empresas no mercado para operarem a nível nacional. Em dezembro, Motta avisou que haveria um período, ainda que curto, de monopólio privado das empresas recém privatizadas. Essa determinação mudou. ‘‘Não haverá etapa de monopólio’’, afirmou o ministro. ‘‘O modelo proposto é de grande competitividade.’’
O governo mantém o otimismo em relação ao processo de privatização do setor de telecomunicações. ‘‘Nossa visão é de que vai haver uma demanda extraordinária em relação ao setor’’, disse o presidente do BNDES, Luis Carlos Mendonça de Barros. ‘‘Estamos discutindo uma massa a ser privatizada estimada em R$ 80 bilhões’’, disse Sérgio Motta, que comparou a privatização das telecomunicações com a da Companhia Vale do Rio Doce. ‘‘A Vale, na primeira etapa, irá valer apenas R$ 4 bilhões.’’
Motta fez questão de explicar esse valor para neutralizar especuladores que, segundo ele, estão tentando subvalorizar o sistema Telebrás. ‘‘Eu dei esse valor para mandar um recado a quem está subvalorizando o sistema’’, avisou Motta. Pelos cálculos do ministro, o Tesouro Nacional arrecadará entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões com a privatização. Esse total deve-se ao fato de a União deter 21% das ações preferenciais e pouco mais de 50% das ações ordinárias do Sistema Telebrás, o que é somado ao que for arrecadado com a privatização da Banda B, sistema de satélites e a Embratel.

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