Tele Centro Sul propõe adiar nova mudança no DDD
Carmem Murara
De Brasília
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as três operadoras de telefonia fixa do País se reúnem hoje em Brasília para discutir uma segunda mudança no sistema de telefonia entre os municípios. A partir do próximo dia 3 de agosto será necessário incluir o código da operadora em todas as ligações interurbanas, mesmo naquelas que tenham o mesmo número do DDD.
A Tele Centro Sul - holding que no Paraná controla a Telepar - vai propor o adiamento por três meses neste sistema, pois considera muito prematuro fazer uma nova modificação, que poderia acarretar problemas tão sérios quanto os que ocorreram quando entrou em funcionamento a inclusão dos dois números da operadora nas ligações interurbanas, no início de julho.
O presidente da Tele Centro Sul, Henrique Neves, que ontem fez um balanço do primeiro ano de privatização da telefonia no País, disse que 85% dos usuários ainda não precisam utilizar o código da operadora, pois fazem ligações entre municípios que têm o mesmo código de área. O exemplo prático seria de um morador de Curitiba que não precisa discar o código DDD para falar com Paranaguá, mas a partir do próximo mês terá de discar o número zero, mais o número da operadora (14 da Tele Centro Sul ou 21 da Embratel), mais o código de área e o número desejado.
Neves vai propor que primeiro seja feito um teste para checar se o usuário está preparado para uma segunda mudança em um mês. Para isso, sugere uma experiência inicial no Mato Grosso do Sul. A Telems tem uma capacidade maior de operação técnica e tem mais estrutura, além de ter uma planta mais reduzida, o que facilita qualquer intervenção.
Independente do adiamento, o usuário precisa saber que ligações entre quaisquer municípios vão necessitar da inclusão do código da prestadora, com exceção das áreas conurbadas (regiões metropolitanas). Dizer que haverá pane no sistema como ocorreu no início do mês seria pura especulação, mas deverá ocorrer congestionamento nas ligações, disse Henrique Neves. A operadora pediu à Anatel a conversão de 55 áreas conurbadas em locais.
O presidente da holding aproveitou para enfatizar que a Tele Centro Sul não teve qualquer responsabilidade nos problemas ocorridos com a mudança do sistema DDD. A operadora consegui completar entre 40% e 60% das ligações interurbanas feitas dentro dos Estados que atua nos primeiros dias da mudança, enquanto no sistema nacional a taxa oscilou de 10% até 30%. Temos segurança de que não seremos punidos. Sabemos que a Anatel tem sido muito justa, comentou o presidente da holding, ao fazer uma sutil crítica às concorrentes. A agência multou em R$ 30 milhões a Telefônica e a Embratel pela prestação do serviço nos dias que se seguiram à mudança do sistema. O caso da Tele Centro Sul vai ser analisado na próxima semana.
Durante a apresentação do balanço de um ano de privatização, Henrique Neves enfatizou que a holding está empenhada em aumentar os investimentos e que tem cumprido as exigências impostas pela Anatel. Para pressionar a empresa concorrente (espelho), que pode se estruturar nos próximos meses, a Tele Centro Sul investirá na instalação de maior número de terminais. A meta até o final do próximo ano é instalar um milhão de novas linhas telefônicas nos oito Estados da holding (Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Acre, Rondônia, Distrito Federal e município de Pelotas - RS).





