A Tele Centro Sul - holding que comprou a telefonia fixa da Telepar, Telesc e a CTMR do Rio Grande do Sul - anunciou ontem a demissão de 16,2% do quadro de pessoal no Paraná e de 10,1% em Santa Catarina. O corte é o maior feito desde que o grupo privado, formado pela Itália Telecom, Banco Opportunity e fundos de pensão, assumiu o controle da estatal em julho do ano passado. A demissão atingiu 680 funcionários paranaenses e 167 catarinenses.
Os empregados foram avisados da demissão quando chegaram para trabalhar logo pela manhã. A empresa alegou que não poderia mais manter a atual estrutura face às mudanças no mercado. ‘‘A estrutura herdada pela Telepar do período monopolista não é mais compatível com a agilidade e os custos do mercado competitivo que se avizinha’’, dizia a nota oficial divulgada pela empresa, nos dois Estados.
A Tele Centro Sul comunicou ainda que irá oferecer condições especiais de desligamento aos demitidos. Além das verbas rescisórias, haverá pagamento de adicionais que variam de acordo com a idade e o tempo de trabalho. A empresa pôs ainda à disposição dos funcionários um serviço de consultoria para orientar na recolocação profissional.
O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Paraná (Sinttel) criticou a forma como a Tele Centro Sul fez o corte de funcionários. ‘‘Nós esperávamos uma demissão, mas a empresa poderia ter discutido conosco a melhor alternativa’’, afirmou o diretor do Sinttel, Franciso Moreno. Ele disse que, no caso paranaense, 50% das demissões se concentraram em Curitiba, envolvendo todos os setores da Telepar.
A Telepar confirmou as demissões feitas ontem nas regiões norte e noroeste do Estado. Segundo o assessor de comunicação social da empresa em Curitiba, José Francisco Cunha, foram dispensados 63 funcionários na região norte e mais 83 na região noroeste.
A subsede do Sindicato dos Trabalhadores em Telefonia (Sinttel) em Maringá afirmou que, dos demitidos, sete funcionários trabalhavam em Umuarama, quatro em Paranavaí, quatro em Campo Mourão e o restante (68) em Maringá. Ainda segundo o Sinttel, as demissões pegaram os servidores de surpresa.
O Sinttel marcou para amanhã uma manifestação em frente à sede administrativa da Telepar. Mas os dirigentes sindicais sabem que pouco ou nada podem fazer para reverter as demissões. ‘‘Vamos fazer um levantamento jurídico para intervir, mas sabemos que é difícil’’, admitiu Moreno. A Telepar e o Sinttel começarão a homologar as rescisões contratuais na terça-feira da próxima semana.
As demissões no setor da telefonia atingem todo o País. A Telemar, que controla a telefonia em 16 Estados do Nordeste e Sudeste, demitiu 8 mil dos 24 mil empregados no seu período de estatal. A Embratel demitiu 3 mil e a Telefonica outros 3,8 mil em São Paulo.

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