O prefeito Marcelo Belinati confirmou na segunda-feira (3) que o presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) em fim de mandato, Claudio Tedeschi, assumirá o comando da Sercomtel nos próximos dias, na tentativa de salvar a empresa do processo de caducidade da concessão de telefonia fixa proposto pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A escolha de Tedeschi se deve à capacidade como articulador político na busca por uma solução para a estatal, que vai desde a ampliação da parceria com a Copel a um negócio com acionistas minoritários, anteriormente descartado pelo chefe do Executivo.

Belinati afirmou que o plano de ação para a Sercomtel continua o mesmo, de aproveitar a possibilidade de a Copel, dona de 45% das ações da telefônica londrinense, fazer um aporte em infraestrutura e comercializar em parceria serviços para todas as cidades do Estado. Ele destacou o perfil articulador do escolhido. "O Claudio é uma pessoa muito respeitada na sociedade, capacitado, que tem estado em todas as discussões de pautas importantes para o desenvolvimento da cidade e que sabe da importância da Sercomtel para Londrina", disse o prefeito.

Tedeschi afirmou que quem manda é o governo e que algumas decisões são políticas, mas admitiu que não descarta outras opções para a empresa. "Temos uma dependência grande da Copel e nossa prioridade é fortalecer essa parceria. Mas é possível fazer venda ou um tipo de troca, como no negócio proposto pelos sócios minoritários", sugeriu.

Ele se referiu a um grupo de acionistas representados por Marcelo Kneese, da boutique de investimentos paulista TGX Capital, que divulgou no último mês de julho o interesse em investir na telefônica. Além das ações dos dois sócios principais, há 54 ações com direito a voto na Sercomtel, ou 0,0002% do total, e Kneese afirmou que comprou 20 delas. O investidor acredita na viabilidade da Sercomtel "dentro de um sistema privado", mesmo que sem excluir a participação da Prefeitura e da Copel do negócio. Na ocasião, Belinati rejeitou a ideia e disse que se tratava de privatização, o que ameaçaria empregos e a manutenção da sede da empresa em Londrina.

Tedeschi reafirmou que a Copel é a principal parceria e disse que fará uma análise técnica e jurídica. "Pode ser que encontre uma saída de forma que não precise vender, mas tem de ser viável", disse. "Lógico que nossa defesa principal é que a empresa volte a ser de ponta, como foi nos primeiros 40 anos de atuação, e com sede em Londrina. Só que essa solução ainda não temos em mãos", completou o escolhido para o comando da Sercomtel.

ARTICULAÇÃO

Tedeschi confirmou o papel que terá. "Meu trabalho passará pelos três níveis de governo. No federal, tenho de negociar com a Anatel para reverter o processo de caducidade. No estadual, discutir a parceria com a Copel e, no municipal, articular com vereadores a aprovação do projeto que retira as amarras", sugeriu, sobre a proposta de lei enviada à Câmara que pede liberação para a alienação de ações da Sercomtel sem plebiscito ou aval do Legislativo.

Ele já iniciou a discussão com deputados da região e vereadores. O interesse é que o projeto de lei seja votado o mais rapidamente possível. "Coloquei para a Câmara que a Sercomtel precisa de soluções urgentes e que não dá para ficar na dependência de um plebiscito ou de outra votação", disse.

Com as mudanças no comando dos governos federal e estadual, porém, Tedeschi afirmou que ganhou mais tempo junto à Anatel. "Eles até liberaram a venda de terrenos (da telefônica), o que é importante para fazer caixa e manter a saúde da Sercomtel por mais tempo."

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