Tecpar vai certificar bovinos para exportação
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quarta-feira, 02 de outubro de 2002
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Certicar, empresa espanhola de certificação de produtos de origem bovina, vai firmar uma parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) para ser um dos órgãos certificadores da carne bovina que será exportada para a Espanha. O diretor da empresa, Javier Samper Cimorra, esteve em Curitiba, onde visitou algumas propriedades pecuárias da Região Metropolitana de Curitiba.
Javier se surprendeu com a qualidade dos animais e do nível de manejo nas propriedades. Pelo que ele viu, adiantou que o Paraná tem padrão de exportação de carne bovina. Mas observou que falta ao pecuarista documentar todos os procedimentos realizados na propriedade em relação ao manejo dos animais. Segundo Javier, o produtor faz tudo correto, desde a preocupação com a alimentação mais adequada, os medicamentos ministrados e o grau de sanidade na propriedade. ''Mas falta escrever e documentar tudo isso'', salienta.
O diretor da Certicar lembrou que na Europa ''o que não está escrito, não existe''. Para ele, se não existe documentação do animal, pressupõe-se que não existe segurança alimentar e por isso o produto deve ser rejeitado. Javier está visitando o País, num momento que o Ministério da Agricultura está implantando um sistema de rastreabilidade do rebanho bovino, destinado à exportação. Até agora, o nível de adesão ainda é muito baixo.
Javier reconhece essa dificuldade em início de processo e lembrou que na Europa, a rastreabilidade, implantada em meados da década passada, foi uma exigência do mercado consumidor após a ocorrência da doença da ''vaca louca''. A população queria mais informações sobre a procedência do animal e as condições em que foi criado. A vantagem na Europa, é que a rastreabilidade foi acompanhada da certificação, que garante a qualidade do produto oferecido. Todos os elos da cadeia produtiva da carne bovina se integraram e implantaram de uma só vez a rastreabilidade e a certificação do processo produtivo até a exposição da carne no supermercado.
Javier defende que se há um esforço para implantar a rastreabilidade no Brasil, um pouco mais de envolvimento dos elos da cadeia produtiva se faz a certificação da produção, mecanismos que ele acredita que vão abrir mercado para a carne brasileira. Para o diretor da Certicar, no início deverá haver um fato indutor como estímulo ao pecuarista para fazer a rastreabilidade do rebanho, através de um preço diferenciado. Quando o processo atingir todo o rebanho e for um procedimento comum, certamente não haverá mais diferenciação de preço porque o próprio mercado nivela as cotações, explica.


