Curitiba O governo federal quer transformar o Paraná em um centro de pesquisa de biocombustíveis e escolheu o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) para coordenar o desenvolvimento do Programa Brasileiro de Biodiesel (Probiodiesel). As pesquisas vão ganhar força com a utilização do biodiesel (adição de 5% de éster de soja ao diesel) por parte da frota do ônibus de Curitiba, o que deve ocorrer no próximo semestre. O trabalho vai consumir recursos de R$ 8,5 milhões somente neste primeiro ano. O governo federal já liberou 10% deste montante para o início do trabalho.
A vantagem do biocombustível, conforme explica Ivonice Campos, coordenadora de Ações de Desenvolvimento Energético, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, é melhorar a qualidade do diesel, já que o biodiesel é isento de enxofre. Segundo Ivonice, o uso do aditivo traz ganhos sociais, econômicos e biológicos, principalmente porque a produção dos componentes vegetais utilizados para a fabricação do biodiesel será feita no Brasil. A estimativa é que a partir da utilização do produto, sejam criados 200 mil novos empregos.
O Paraná foi escolhido para coordenar o programa porque a Capital já tem uma experiência semelhante no uso de um combustível menos poluente. Há três anos, 20 veículos da frota de ônibus de Curitiba utilizam uma mistura de álcool e diesel. Esta teconologia reduz em 30% a emissão de fumaça preta, que concentra resíduos de carbono prejudiciais à saúde e ao ambiente. ''É como se a cidade tivesse ganhado pulmões novos'', diz Ivonice.
A meta agora, antes mesmo da implantação do biodiesel, é aumentar a frota de ônibus que utiliza a mistura menos poluente. Até o final do ano, cerca de 97% dos 2,4 mil ônibus que circulam em Curitiba devem utilizar aquele combustível e, dentro de nove meses, o biodiesel deve começar a ser testado. Falta apenas autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que deve se manifestar nas próximas semanas.

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