Tecnologia torna arenito produtivo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de julho de 2003
Sílvio Oricolli<br>Reportagem Local 
Maringá A região do arenito caiuá, no noroeste do Paraná, pouco valorizada até há bem pouco tempo, por causa da queda de fertilidade do solo, transformou-se, a partir do final de 1997, em área valorizada graças ao consórcio agricultura/pecuária, que vem recuperando as qualidades da terra e introduzindo novas atividades na região. O vice-presidente da Cooperativa Agroindustrial Cocamar (Cocamar), José Fernandes Jardim Júnior, diz que os resultados comprovam o alto potencial agropecuário da região. Com tecnologia apropriada para o arenito, por meio de pequisa desenvolvida pelo Instituto Agrônomico do Paraná (Iapar), o desafio representado pelos 2,3 milhões de hectares distribuídos em 107 municípios, está sendo vencido. A cooperativa investiu perto de R$ 2 milhões na geração e difusão de tecnologias e R$ 5 milhões na compra de unidades de recebimento de grãos a região concentra a metade das atuais 36 unidades de recebimento de grãos da empresa.
Na safra 2002/03, foram cultivados 253 mil hectares, que devem chegar a 300 mil hectares no próximo plantio. A soja do arenito, com produtividade média de 2,7 toneladas por hectare, representou 30% do volume do grão que a empresa recebeu neste ano. ''O arenito é uma nova fronteira agrícola, com a vantagem de já dispor da infra-estrutura de produção, estradas e postos de recebimento da safra'', destaca Jardim Júnior.
O uso da soja na recuperação do solo multiplica por dez a renda em relação à pastagem e valoriza a terra. O executivo diz que, em 1997, o hectare no arenito valia, no máximo, R$ 2 mil. O atual preço médio é de R$ 8 mil, como resultado direto do uso de tecnologia, que gera até oito empregos na propriedade e 27 indiretos na cidade, frente às duas vagas, no máximo, nas áreas degradadas.
O coordenador técnico de grãos e do arenito da Cocamar, Antonio Sacoman, diz que o uso da agricultura na recuperação do solo permite aumentar a produtividade em até dez vezes em relação à produção da pecuária em solo esgotado, onde a densidade é de 2,5 animais por hectare a média nacional é inferior a uma cabeça. ''Nas pastagens novas das áreas recuperadas do arenito, a ocupação pode chegar a até oito cabeças por hectare'', afirma.
Sacoman diz que, como o índice de fertilidade do solo é muito baixo no arenito, o investimento na recuperação fica entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por hectare. Mas há estudos que comprovam que, em 3 anos, o plantio de soja e milho, no verão, e cobertura vegetal no inverno, é possível recuperar as áreas ao custo equivalente a sete sacas de soja por hectare. Por isso, não se recomenda cobrar o arrendamento no primeiro ano, enquanto que, entre o 2º e o 4º ano, o valor deve ser de quatro sacas de soja e, no 5º ano, de cinco sacas.
Ele explica que o sistema só traz benefícios ao dono da terra, já no primeiro ano de arrendamento, porque não terá custos com a recuperação do solo e reforma das pastagens. E afirma que a produtividade por hectare passa de 3,7 arrobas nas pastagens antigas para 41 arrobas a partir do sexto ano no sistema de consórcio agricultura/pecuária.


