Tecnologia puxa recuperação do interior
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de dezembro de 1998
Carmem Murara 
Os municípios do interior do Estado, que perderam participação na economia paranaense ao longo dos últimos 20 anos, devem começar a retomar o aquecimento nos números e ganhar participação no bolo geral que compõe o Produto Interno Bruto do Paraná, que hoje é de R$ 50,7 bilhões. Desse total, o interior corresponde a 37% do PIB industrial, contra uma participação de 68%, em 1975. A avaliação da recuperação dos investimentos é feita hoje por alguns economistas e por setores do governo estadual, que apostam no redirecionamento da economia do Estado para determinadas microrregiões.
Na avaliação deles, um dos fatores determinantes para impulsionar a atração de investimentos é a presença de pólos voltados para a ciência e tecnologia e ainda a presença das universidades estaduais e unidades do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet).
A importância da presença das universidades no aumento da participação econômica de uma região é ressaltada pelo economista Gilmar Lourenço, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Ele cita dois exemplos típicos para o interior paranaense: o caso da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ficou em terceiro lugar no ranking das melhores universidades, segundo o Ministério da Educação, e o caso da Universidade de Campo Mourão, que tem o segundo melhor curso de Engenharia de Alimentos do Brasil.
Na região Oeste houve o desenvolvimento de um Parque Tecnológico de Agroindustrialização, projeto que conta com a troca de experiências com a Unioeste. Antigamente, uma empresa se instalava no local onde havia uma boa infra-estrutura. Hoje, além disso, os novos investimentos vão para onde há mão-de-obra especializada e onde é possível desenvolver o conhecimento, afirma Lourenço.
Além da estrutura de ensino superior voltada para a ciência e tecnologia, o interior do Estado tende a se desenvolver no setor industrial por outros três fatores, que são a retomada de projetos para a agroindústria, os projetos no segmento madeireiro e a melhoria em infra-estrutura. Ao contrário do passado, os programas atuais são implantados com componentes de alta tecnologia para a indústria que está ligada ao setor agrícola.
A retomada de obras de infra-estrutura já comprometeu um investimento do governo e iniciativa privada de R$ 11 bilhões, até o ano de 2003. Projetos viários como o Anel de Integração (concessão de rodovias à iniciativa privada), as pontes na região oeste ligando o Estado ao Mato Grosso do Sul e extensão da Ferroeste permitirão que mais empresas se voltem ao interior, avalia Lourenço.
Dentre todos os processos de desenvolvimento econômico, o secretário de Ciência e Tecnologia, Alex Beltrão, não pensa duas vezes ao ressaltar a importância das universidades. As empresas de ponta que dependem de recursos humanos procuram os locais onde há universidades para se instalar, ressalta o secretário, ao dizer que um dos itens mais caros para uma empresa é formar um bom profissional.
No próximo domingo, lideranças políticas e empresariais falam sobre a retomada do desenvolvimento no Interior.


