Os municípios do interior do Estado, que perderam participação na economia paranaense ao longo dos últimos 20 anos, devem começar a retomar o aquecimento nos números e ganhar participação no bolo geral que compõe o Produto Interno Bruto do Paraná, que hoje é de R$ 50,7 bilhões. Desse total, o interior corresponde a 37% do PIB industrial, contra uma participação de 68%, em 1975. A avaliação da recuperação dos investimentos é feita hoje por alguns economistas e por setores do governo estadual, que apostam no redirecionamento da economia do Estado para determinadas microrregiões.
Na avaliação deles, um dos fatores determinantes para impulsionar a atração de investimentos é a presença de pólos voltados para a ciência e tecnologia e ainda a presença das universidades estaduais e unidades do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet).
A importância da presença das universidades no aumento da participação econômica de uma região é ressaltada pelo economista Gilmar Lourenço, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Ele cita dois exemplos típicos para o interior paranaense: o caso da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ficou em terceiro lugar no ranking das melhores universidades, segundo o Ministério da Educação, e o caso da Universidade de Campo Mourão, que tem o segundo melhor curso de Engenharia de Alimentos do Brasil.
Na região Oeste houve o desenvolvimento de um Parque Tecnológico de Agroindustrialização, projeto que conta com a troca de experiências com a Unioeste. ‘‘Antigamente, uma empresa se instalava no local onde havia uma boa infra-estrutura. Hoje, além disso, os novos investimentos vão para onde há mão-de-obra especializada e onde é possível desenvolver o conhecimento’’, afirma Lourenço.
Além da estrutura de ensino superior voltada para a ciência e tecnologia, o interior do Estado tende a se desenvolver no setor industrial por outros três fatores, que são a retomada de projetos para a agroindústria, os projetos no segmento madeireiro e a melhoria em infra-estrutura. Ao contrário do passado, os programas atuais são implantados com componentes de alta tecnologia para a indústria que está ligada ao setor agrícola.
A retomada de obras de infra-estrutura já comprometeu um investimento do governo e iniciativa privada de R$ 11 bilhões, até o ano de 2003. Projetos viários como o Anel de Integração (concessão de rodovias à iniciativa privada), as pontes na região oeste ligando o Estado ao Mato Grosso do Sul e extensão da Ferroeste permitirão que mais empresas se voltem ao interior, avalia Lourenço.
Dentre todos os processos de desenvolvimento econômico, o secretário de Ciência e Tecnologia, Alex Beltrão, não pensa duas vezes ao ressaltar a importância das universidades. ‘‘As empresas de ponta que dependem de recursos humanos procuram os locais onde há universidades para se instalar’’, ressalta o secretário, ao dizer que um dos itens mais caros para uma empresa é formar um bom profissional.
No próximo domingo, lideranças políticas e empresariais falam sobre a retomada do desenvolvimento no Interior.

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