Curitiba Um scanner que permite captar a imagem de um edifício em terceira dimensão (3D); um programa de computador que faz a integração de todos os itens e etapas de uma obra; e sensores que funcionam como códigos de barra com memória, marcando equipamentos, materiais e até os profissionais envolvidos na construção. Esses são alguns exemplos de novas tecnologias que vêm sendo usadas no setor da construção civil nos Estados Unidos, conseguindo baratear custos e ao mesmo tempo melhorar a qualidade das edificações.
O Brasil ainda está engatinhando no assunto. Tecnologias semelhantes começam a ser desenvolvidas apenas agora. Um primeiro passo nesse sentido, segundo o coordenador executivo do programa Construbusiness Paraná, Eliel Lopes Ferreira Júnior, foi a implantação, em 27 de outubro, da Rede Construir, primeira loja virtual do sul do País de produtos para a construção civil. A rede reúne 15 lojas no site www.construir parana.com.br e comercializa produtos para empresas e pessoas físicas.
''A intenção é aumentar a competitividade e produtividade das empresas de construção do Paraná'', explica Ferreira Júnior. Foi também com esse objetivo que o Construbusiness promoveu ontem, em Curitiba, o Seminário da Informação e Comunicação na Construção Civil. O evento trouxe especialistas de vários Estados, que relataram novas práticas e experiências com o uso das chamadas ferramentas da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).
Segundo Lúcio Soibelman, da Universidade de Illinois (EUA) especialista na utilização da tecnologia da informação para o desenvolvimento econômico o uso de tecnologias é ainda mais importante na construção civil do que em outras indústrias. ''O setor não é centralizado. Ele usa um engenheiro de um estado, um arquiteto de outro, um profissional de cálculo integral de outro. Antes, o único meio de reunir estes profissionais era viajando. Hoje, existe uma organização virtual'', diz.
Essa organização, assim como as ferramentas que permitem maior fidelidade na transposição dos dados das obras para os meios eletrônicos, de acordo com Soibelman, resultam em agilidade nos projetos, redução de erros e melhoria de qualidade. Um trabalho considerado importante para o setor é a Classificação de Bases para a Indústria, que está sendo feita pela Aliança Internacional para a Interoperabilidade (IAI). O trabalho consiste em criar padrões para cada objeto usado na construção, e deve ser adotado mundialmente. ''Uma porta de madeira, por exemplo, teria que ter as mesmas características em Curitiba ou Manaus'', explica o professor de Engenharia da Universidade Federal Fluminense, Sérgio Leusin de Amorim, que está desenvolvendo o CDCon, um projeto semelhante no Brasil, uma vez que o País não está participando das pesquisas da IAI.

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