Tecnologia irá testar caroço de azeitona
A tecnologia do bio-óleo desenvolvida pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Estratégico (Nipe) da Unicamp permite a transformação de todo tipo de biomassa (material orgânico) em fonte de energia.
De acordo com o engenheiro químico e pesquisador, José Dilcio Rocha, desde 2002 o equipamento já foi testado positivamente com utilização de bagaço de cana, palha de cana, capim, caroço de açaí, serragem e resíduos da indústria de tabaco. Rocha fundou, juntamente com outro pesquisador, a empresa Bioware, que pretende comercializar o sistema. A iniciativa tomou corpo na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp.
''Vamos testar ainda este ano com caroço de azeitona, a pedido de uma empresa espanhola, e com casca de coco, que é uma fonte riquíssima no Brasil''. De acordo com o engenheiro químico, a produção de 1 litro de biocombustível consome aproximadamente 2 kg de bagaço de cana. Ele acredita que a utilização de matéria-prima descartada no campo e na cidade é uma característica que pode baratear a tecnologia.
''O biodiesel que está chegando ao mercado tem um custo alto com matéria-prima, seja da soja, mamona, ou outras variedades. O próprio álcool, que é fonte alternativa mais avançada no Brasil, custa caro por causa da cana de açúcar'', conta. ''O nosso foco é outro, são os resíduos: folhas, capim, bagaço, tudo que é biomassa descartada nos interessa''.
Apesar de evitar previsões, José Dilcio Rocha acredita que a utilização da tecnologia em escala industrial vai acontecer em breve. ''A idéia tem despertado interesse em indústrias que movimentam grande quantidade de biomassa como as de açúcar, e de papel e celulose. A velocidade de implantação vai depender dos balanços econômicos das empresas''.
Outra idéia em desenvolvimento pela Bioware visa criar um aditivo de base vegetal para o petróleo pesado - modalidade fóssil mais encontrada no Brasil e que tem maior custo de refino. Segundo o engenheiro químico, o produto pode baratear reduzir em 90% o preço do produto similar que é hoje utilizado pela Petrobrás. (F.C.)





