Oswaldo Petrin
De Londrina
Dados de pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) mostram a viabilidade técnica e econômica da agricultura na região do arenito. O uso correto da tecnologia recomendada pela instituição pode mudar o perfil econômico da região, conferindo-lhe maior produtividade de grãos, carne e leite. O arenito representa 3,5 milhões de hectares em 101 municípios do Noroeste do Paraná. A idéia de ‘‘fazer’’ agricultura numa região voltada para pastos partiu da prefeitura de Umuarama, em janeiro de 1997, e está em rápida expansão, através do bem-sucedido programa ‘‘Bolsa de Arrendamento de Terras’’.
A tecnologia proposta pelo Iapar está voltada para um processo de recuperação de pastagem no arenito tendo como base o sistema de rotação de culturas sobre plantio direto (PD) e integração lavoura e pecuária. As recomendações da pesquisa foram apresentadas em dia de campo na última terça-feira, em Umuarama, que reuniu técnicos e empresários rurais, apesar da chuva. O diretor técnico e científico do Iapar, Rogério Cardoso, reafirmou os objetivos do Instituto em dar suporte técnico à prática de uma agropecuária produtiva e, principalmente, sustentável na região.
O pesquisador Elir de Oliveira apresentou resultados de pesquisa e as opções que são colocadas à disposição dos produtores. O evento técnico foi organizado pelo Iapar, Cocamar, Zêneca e Imasa, com apoio da prefeitura de Umuarama e Seab, através da Emater. Foi realizada na Fazenda Haiti, do engenheiros agrônomo Marcos Marcon.
Elir de Oliveira apresentou dados de experimentos conduzidos pelo Iapar na região do arenito. Após a palestra, seguida de perguntas, o pesquisador mostrou, no campo, o comportamento das culturas recomendadas para o arenito.
Em resumo, o que a pesquisa recomenda para a recuperação de pastagem e a integração lavoura pecuária é um sistema de rotação de culturas, em plantio direto, que contemple basicamente as seguintes opções:
A) Em março, adequação do solo para substituir a pastagem. Apenas esta fase é feita através do preparo convencional. Até meados de abril é feito o plantio de aveia para cobertura. No final de outubro, plantio da soja. No final de fevereiro, entra com sorgo para silagem ou para produção de grãos.
B) Depois de adequar o solo, em março, pode-se plantar aveia (ou nabo forrageiro ou consórcio dos dois) no início de abril. Em setembro, planta-se milho, depois, no final de fevereiro, feijão. Depois do feijão entraria aveia granífera para silagem de grão.
C) Outra opção seguiria a mesma etapa, porém com plantio de sorgo granífero após soja. No primeiro ano, abertura com aveia de ciclo longo, soja e depois aveia novamente.
Importante: o Iapar recomenda que o plantio convencional seja feito apenas na primeira etapa, a da eliminação da pastagem antiga. Depois, é necessário introduzir o PD definitivamente. A cultura comercial deve antecipada de uma planta de cobertura, para evitar a erosão, ervas daninhas e estresse por deficiência hídrica.
O pesquisador destacou o potencial da região de Umuarama para produção de feijão, principalmente sementes. O feijão, na região do arenito, quando plantado no final de fevereiro, apresenta um grande potencial para produção de sementes em função de menor risco de geada, uma vantagem sobre as demais regiões do Paraná. Outro ponto positivo do arenito de caiuá: não contém alumínio tóxico, apesar de ser uma terra fraca. ‘‘É solo predominantemente sem alumínio’’, disse Elir. Ele disse também que o programa de arrendamento da prefeitura de Umuarama está dando bons resultados.
Aveias As condições de solo e clima, com boa distribuição de chuvas, conferem às aveias um bom comportamento. Elir sugere especialmente a aveia de ciclo longo que pode servir como produção de carne a pasto, no período de inverno, quando as pastagens de verão não estão produzindo.
Além da suplementação de inverno as aveias permitem dois a três pastejos quando bem adubadas e manejadas, permitindo ainda uma formação de palhada e sistema radicular abundante, viabializando o PD com palhada. Essa cobertura de solo e sistema de raiz da aveia vão permitir maior retenção de água em solos arenosos, maior reciclagem de nutrientes, principalmente Nitrogênio e potássio.
Elir apresentou dados do uso da aveia na alimentação animal: no gado de corte, ganhos de até um quilo/dia no cruzamento anelorado. Em produção de leite até 15 litros a pastos, com gado especializado.
Expansão O engenheiro agrônomo Edson Assis Bastos, secretário da Agricultura de Umuarama, espera atingir 75 mil hectares de soja na safra 1999/2000. A expansão da soja se deve a vinda de agricultores empreendedores de outras regiões, com seus equipamentos e know how, segundo Bastos. Eles estão tendo bons resultados e estimulando novos investimentos.
A meta da prefeitura, ao criar a Bolsa de Arrendamento, foi criar o desenvolvimento social, através da geração de riquezas e empregos; interromper um processo de degradação do solo e promover a integração da pecuária e da agricultura. Para Bastos, o projeto está dando certo e a região é a nova fronteira agrícola.O cultivo de grãos é rentável na região do arenito. Pesquisa define tecnologia para integração lavoura pecuária
AGRICULTURA SUSTENTÁVELTécnicos e empresários observam o desenvolvimento das culturas usadas para recuperar fertilidade do soloAveia deixa grande quantidade de massa sobre o solo: proteção

mockup