Tecnologia ganha status de 'jóia'
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Não se trata de infidelidade. No entanto, o lendário ''melhor'' amigo das mulheres, o diamante, vem perdendo espaço nos corações femininos para itens mais modernos e não menos sofisticados. Pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que o interesse das mulheres tem se voltado para a tecnologia: três de cada quatro mulheres preferem uma televisão de plasma a um colar de diamantes. Câmeras digitais, celulares com câmeras também estão entre as preferências desse público.
O estudo encomendado pela operadora de TV a cabo Oxygen Network, e divulgado pela agência de notícia Reuters, concluiu que a maioria das mulheres está gostando de tecnologia e tem facilidade com ela. Além disso, mostrou que a disparidade tecnológica entre os sexos praticamente desapareceu, com a maior parte das mulheres interessadas em adquirir novas tecnologias e aptas a aprender a usá-las rapidamente. A média de posse de aparelhos de alta tecnologia detectada na pesquisa foi de 6,6 para as mulheres e de 6,9 para os homens.
Apesar de o estudo ter sido realizado com um público americano, a realidade brasileira não está muito longe. Para o professor da área de comportamento do consumidor, da Unopar, Fábio Coltro, o perfil de consumo tanto de homens quanto de mulheres, no Brasil, tem mudado significativamente. ''O interesse por tecnologia já era comum, mas agora ele aumentou, principalmente, entre o público feminino. A informação está mais disponível e isso provoca interesse nas mulheres'', destacou.
Quanto à preferência por equipamentos de tecnologia ao invés de uma jóia ou mesmo uma viagem de final de semana - como detectou o estudo - Coltro disse que essa mudança de comportamento está bastante ligada à violência urbana. ''As mulheres não querem sair de casa ostentando um produto, principalmente uma jóia, pois a insegurança é grande. Então, optam por outros itens que possam satisfazê-las''.
Segundo o professor, outro ponto que tem colaborado para o crescimento do interesse desse público em produtos de tecnologia é o aumento do poder aquisitivo de classes mais baixas. Por conta do equilíbrio da economia, os consumidores das classes C, D e E têm acesso mais fácil a equipamentos eletroeletrônicos. ''Agora eles podem planejar, parcelar e comprar'', enfatizou Coltro. Além disso, esse público não tem interesse em comprar jóias, acrescentou o professor.
As agências de publicidade, por sua vez e por conta da lei do mercado, têm voltado suas atenções para o público feminino. De acordo com a gerente de mercado da agência Exclam Norte, Érica Ruiz, está cientificamente comprovado que o poder de compra das mulheres cresceu em todos os segmentos e a influência desse público no desenvolvimento de produtos é grande. ''Os novos automóveis, por exemplo, tem um mix de acessórios criados especialmente para agradá-las'', destacou.
Segundo Érica, a Exclam trabalha com campanhas dirigidas para alcançar esse público feminino. ''E a demanda de serviço tem crescido muito. A mulher precisa de uma publicidade voltada para ela'', ressaltou a gerente. Sobre o interesse em produtos tecnológicos, Érica frisou que isso tem acontecido porque os produtos estão dentro de casa e as mulheres sentem a necessidade de aprender a usá-los, e acabam gostando.


