Tecnologia flex atrai os estrangeiros
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domingo, 25 de maio de 2008
Cleide Silva<br>Agência Estado 
São Paulo - Perto de atingir a marca de 6 milhões de unidades vendidas, o equivalente a mais de 20% da frota de automóveis e comerciais leves, os carros flex transformaram a matriz energética do País, fazendo com que a energia gerada a partir da cana-de-açúcar superasse a tradicional energia hidráulica e a eletricidade. A tecnologia nacional tem atraído interesses internacionais, apesar dos recentes ataques ao biocombustível.
A General Motors tem nove engenheiros brasileiros trabalhando na matriz, nos Estados Unidos, no aperfeiçoamento dos veículos flexíveis locais. Em sua recente passagem pelo Brasil, a chanceler alemã Angela Merkel admitiu a possibilidade de ter carros a etanol na Alemanha. França e Suécia já produzem automóveis com motores importados da filial do Rio de Janeiro da PSA Peugeot Citröen.
O Brasil é o único país onde os carros rodam com 100% de álcool, além de ter 25% do produto adicionado à gasolina. Nos EUA e na Europa, os carros denominados flex utilizam 15% de gasolina e 85% de etanol, proveniente do milho, beterraba e grãos. Outros países adicionam à gasolina entre 3% a 20% de etanol para reduzir a emissão de poluentes e a dependência do petróleo.
O presidente mundial de operações da GM, Fritz Henderson, informa que, até 2012, metade da produção da montadora nos EUA será de veículos flex.
Mais recentemente, com a necessidade de buscar alternativas à alta do preço do petróleo, os americanos estão ampliando o uso dos veículos flex e têm adotado soluções brasileiras. ''Nossa experiência é vasta na mistura, até mesmo quando o combustível está fora das especificações'', afirma Vicente Lourenço, diretor de engenharia da GM Power Train do Brasil.
Segundo ele, por já dominar a tecnologia do carro a álcool, o Brasil também tem soluções mais viáveis para a corrosividade das peças. ''Dentro da multinacional, nós somos reconhecidos como os que têm o sistema flex mais desenvolvido e de maior uso em massa.''
Os EUA têm cerca de 5 milhões de carros flex, o que representa pequena parcela da frota local. A GM responde por 40% da frota com motor alternativo. Para Henderson, ''o etanol é a única solução de curto prazo contra o aumento do preço do petróleo''.
Em julho, o Brasil deve contabilizar a venda de cerca de 6 milhões de veículos bicombustíveis, número que pode ficar próximo dos 7 milhões até o fim do ano, segundo cálculos das montadoras. Até abril, a soma chegava a 5,3 milhões de unidades, número acumulado desde 2003, quando a tecnologia foi lançada no País.
O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph Junior, acredita que os recentes ataques ao biocombustível podem atrasar decisões em curso sobre o uso do etanol em maior escala, principalmente nos países europeus.
A UE estabelece a mistura de até 5% de etanol na gasolina e estuda a ampliação do porcentual para 10% até 2020.
Para difundir o uso do etanol, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) abriram escritórios de representação nos EUA e na Bélgica e em breve vão abrir outro na Ásia.


