Bruno Machado, da RT Airqual: startup monitora qualidade do ar com foco na saúde do praticante de corrida de rua
Bruno Machado, da RT Airqual: startup monitora qualidade do ar com foco na saúde do praticante de corrida de rua | Foto: Divulgação

A qualidade do ar tem relação direta com a prática da corrida de rua. O índice de conforto térmico, que considera as condições de temperatura e umidade do ar, pode diminuir mais de 20% o desempenho de um atleta. A poluição do ar também tem efeitos sobre a saúde do atleta a longo prazo. “Quem está correndo nas ruas respira de forma mais intensa e, portanto, a taxa de inalação (do ar poluído) é maior”, observa Bruno Machado, fundador de uma plataforma de monitoramento da qualidade do ar para praticantes de corrida de rua, a RT Airqual. A startup tem pontos de monitoramento em locais estratégicos da cidade, e com a ajuda da plataforma transforma os dados coletados pelos equipamentos em informações úteis para os atletas. A primeira versão do aplicativo deve ser lançada entre o final do mês e a primeira quinzena de junho.

As empresas que empregam a tecnologia no esporte são tema de uma série de eventos em Londrina, que começaram na última semana e vão até outubro. A Jornada SporTech & HealthTech – Imersão Completa, acontece de maio a outubro e inclui meetups, conteúdo, Startup Weekend, hackathon e rodada de negócios. A Jornada é realizada pelo Instituto Sport Training com organização da Dg Comunicação Digital, Fundação de Esportes de Londrina, Comunidade Redfoot e Sport Training Brasil.

Esporte, saúde e educação são áreas ainda muito desatendidas pela tecnologia, avalia Danhara Gomes, empreendedora e organizadora do evento. Tecnologias que permitem avaliar o desempenho de atletas em tempo real, que as pessoas costumam ver na cobertura de eventos, são empregadas apenas em equipes de ponta, afirma Adalberto Dhener, empresário, ex-chefe do Escritório Regional do Esporte e do Turismo de Londrina e organizador da Jornada SporTech & HealthTech.

As oportunidades no setor de esporte vão desde sistemas de gestão até desenvolvimento de próteses para atletas com necessidades especiais. Gomes relata que muitos dos processos no esporte ainda são manuais. Um exemplo são as súmulas, anotações feitas durante uma partida em que constam as ocorrências do jogo.

Mesmo os aplicativos de atividades físicas ainda deixam a desejar. Na opinião da empreendedora, a maioria apenas reporta ao usuário métricas como distância percorrida, batimento cardíaco e calorias gastas, ou prescrevem treinos de maneira pouco individualizada, baseados em categorias como gênero, faixa etária ou de peso. “Por isso o esporte precisa tanto de tecnologia”, destaca a empreendedora. “As áreas de esporte, saúde e educação ainda têm muitas falhas, problemas que para a tecnologia são oportunidades de negócios.”

Em todo o mundo, há eventos e comunidades que conectam as sportechs em rede. Os investimentos nessas startups também aumentam, comenta Cristiano Teodoro, coordenador da Hotmilk, aceleradora da PUCPR, em Londrina. “No final das contas, as startups de esporte têm tudo a ver com qualidade de vida. Estudos mostram que a obesidade, diabetes, doenças do coração, stress, depressão têm a ver com qualidade de vida. Nos próximos cinco a dez anos, a expectativa é que essas doenças aumentem, e tem que ser feito algo a respeito.”

O uso da tecnologia tem o potencial de conectar praticantes de esportes em rede, de viabilizar a captação de recursos por atletas de alto rendimento ou transformar dados em prognósticos por meio de plataformas digitais, exemplifica Teodoro. Por meio da bioengenharia, próteses e dispositivos podem ser desenvolvidos para a prática de esportes por pessoas com necessidades especiais. A Hotmilk está iniciando no mês que vem um novo ciclo de aceleração de ideias, e está admitindo negócios das áreas de Esporte, Saúde e Educação, observa o coordenador. As inscrições para quem tem uma ideia inovadora e quer transformá-la em um negócio vão até o dia 2 de junho.

“Temos essa ambição de reunir vários stakeholders (atores) para proporcionar um olhar inovador para o esporte”, disse Adalberto Dhener, sobre a Jornada SporTech & HealthTech. Afinal, o esporte tem reflexos positivos em diversas outras áreas como saúde, educação, turismo, segurança pública. “(O esporte) é um meio que, se bem fomentado, faz bem para a sociedade, não só através das conquistas em si.”

POLÍTICAS PÚBLICAS


No primeiro meetup da Jornada SportTech & HealthTec, realizada na segunda-feira (13), com o tema “Educação, Esporte, Saúde, TIC e o tal do Empreendedorismo”, o diretor de Ciência e Tecnologia da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Fabian Trelha, falou sobre políticas públicas que podem contribuir para o ecossistema de inovação da cidade, e também para o desenvolvimento de tecnologia para as áreas de Esporte, Saúde e Educação.

“Londrina é um ambiente bastante amistoso para a inovação”, destacou Trelha. Uma das políticas que ele considerou mais importantes é a educação empreendedora, em que estudantes do ensino fundamental são estimulados a empreender. Em parceria com o Sebrae, os professores de escolas municipais recebem material didático sobre o tema, cujo conteúdo é repassado aos alunos. Cerca de 80 mil estudantes já foram beneficiados, e outros 27 mil serão atingidos pelo programa em 2019. Ainda este mês, a prefeitura deve lançar um programa de bolsas de estudos para estudantes de graduação continuarem os estudos em tecnologias consideradas importantes para o setor

Outras políticas citadas pelo diretor são o ISS Tecnológico, que já resultou em R$ 1,5 milhão de renúncia fiscal em 84 projetos de inovação tecnológica pelo município, e o edital de soluções inovadoras, que permite que startups testem e validem suas soluções dentro da prefeitura. Trelha lembrou ainda do Parque Tecnológico, que já abriga importantes empresas de tecnologia de ponta, e o Tecnocentro, que está em fase de publicação de edital para término das obras.

RODADA DE NEGÓCIOS

A Jornada SporTech & HealthTech – Imersão Completa quer apresentar os novos olhares e oportunidades que podem integrar as áreas de esporte, saúde, educação e tecnologia. O próximo evento da Jornada é o meetup “Esporte e Saúde”, no dia 27 de maio. Meetups são encontros que acontecem em locais mais descontraídos, com dinâmicas mais leves e microfone aberto, com o objetivo de aproximar profissionais de diversas áreas e incentivar o networking. Um terceiro meetup, com o tema “Tecnologia e inovação no Esporte e Saúde”, no dia 10 de junho, fecha a agenda da primeira fase da Jornada SporTech & HealthTech.

Em seguida, a Jornada entra em uma segunda fase, de conteúdo, com o SportCon (Esporte + Conteúdo), evento de imersão em conhecimento que integrará a programação oficial do Parajaps, nos dias 22 e 23 de junho. A etapa de aplicação do conhecimento e de transformação de ideias em negócios acontece no primeiro Startup Weekend da América Latina com o tema de Esporte e Saúde, de 26 a 28 de junho.

Depois, a Jornada entra na fase de desenvolvimento com a realização de um hackathon (maratona de desenvolvimento), de 20 a 22 de setembro dentro da programação oficial dos Jogos da Juventude. A última etapa da Jornada SporTech & HealthTech é uma rodada de negócios, em que os empreendedores poderão apresentar as ideias que surgiram durante a Jornada a potenciais investidores, clientes e parceiros.

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