São Paulo - A revisão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) sobre o aumento da população mundial até 2050, que passou de 9 bilhões para 9,7 bilhões de pessoas, acendeu o alerta da indústria da alimentação. Segundo a organização, para atender a essa demanda a produção de alimentos no planeta terá que aumentar em torno de 80%. Mas o desafio é como elevar essa produção utilizando de forma racional os recursos naturais.
O assunto foi um dos temas debatidos pelo presidente da Monsanto em um debate com jornalistas ocorrido no início deste mês em São Paulo. Rodrigo Santos, presidente da Monsanto no Brasil, afirma que fazer uma agricultura sustentável é um desafio que a pesquisa tem trabalhado com grande empenho. "Precisamos produzir mais e, ao mesmo tempo, economizar recursos", destaca.
Santos afirma que o investimento em novas tecnologias que elevam os índices de produtividade tem dado bons resultados. E observa que nos últimos 25 anos o Brasil aumentou a produção de alimentos em 243%, resultado obtido principalmente pelos ganhos em produtividade. E graças à biotecnologia, avalia o presidente da Monsanto, o potencial produtivo do País tem sido cada vez maior.
O executivo salienta que para elevar em 80% a produção de alimentos é importante ampliar a produtividade com uma expansão de área de 5%. Essa área, completa ele, pode ser implantada em regiões de pastagens degradadas. Para elevar os níveis de produtividade, é necessário investir em tecnologia. A Monsanto investe US$ 3,5 milhões por dia no mundo em pesquisa e desenvolvimento. Em um ano, o total de investimento da empresa neste segmento é de US$ 1,5 bilhão.

PARCERIAS

Além dos investimentos internos, a empresa tem realizado parcerias com empresas públicas e privadas, além de entidades de pesquisas que ajudam a potencializar a descoberta de tecnologias que aumentam os índices de produtividade. Rodrigo Santos avalia que o olhar das empresas que trabalham com agricultura deve sempre ser de médio e longo prazo no que diz respeito aos resultados. Ele destaca que o melhoramento genético, a utilização de produtos biológicos e a inserção da agricultura digital no campo formam um pacote que ajuda a elevar os índices de produtividade.

Inovação

Transformar dados em recomendações agronômicas é o novo desafio da Monsanto. A empresa tem trabalhado em um software que une diversos dados coletados em campo que resulta em recomendações agronômicas que poderão ser disponibilizadas em aplicativos de computadores, tablets e celulares. Já testado em 30 milhões de hectares nos Estados Unidos, o sistema está em teste no Brasil.
A Climate, empresa de divisão da Monsanto, está implementando uma pesquisa com foco na coleta de dados de campo para soja e milho com agricultores de vários estados brasileiros. Mesmo com as funcionalidades das ferramentas de agricultura digital sendo feitas sob medida para as necessidades de cada geografia, a Climate está focada em prover soluções integradas que ajudem os agricultores a melhorar a eficiência e a sustentabilidade de suas operações.
O sistema dá informações sobre condições de solo, clima, umidade, mapa de informação que traz ao produtor uma recomendação por meio de um aplicativo. As informações podem ser colocadas numa máquina que pode semear ou adubar de acordo com as necessidades de um determinado talhão. A plataforma, segundo Santos, vai contribuir para o aumento da produtividade. (O repórter viajou a São Paulo a convite da Monsanto)

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