Interatividade. É exatamente isso que os consumidores brasileiros vão ganhar com a implantação do sistema de transmissão digital. A afirmação foi feita pelo professor Mauro Oliveira, ex-secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, que esteve ontem em Londrina e ministrou palestra sobre essa tecnologia. Segundo ele, o decreto assinado pelo presidente Lula, na semana passada, que estabelece a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTD-T) com base no padrão japonês de TV digital, tem gerado dúvidas e discussões, mas se trata de um sistema revolucionário.
Para Oliveira, que atualmente é diretor de projetos do CEFET-Ceará na área de TV digital, a escolha pela base do sistema japonês foi bastante acertada. Conforme ele, e diferentemente do que a maioria das pessoas tem pensado, o SBTD-T tem detalhes que foram desenvolvidos por pesquisadores do País, especialmente para atender a necessidade dos consumidores daqui. ''O alicerce do sistema é japonês, do qual foi usado a tecnologia de transmissão de sinais. Mas a tecnologia da interface - que fica entre tudo que aparece na tela e o resto do sistema - foi desenvolvida no Brasil'', disse Oliveira, satisfeito.
Além disso, ele esclareceu que, entre os padrões de sinais japonês, americano e europeu, o escolhido foi o primeiro porque seria o modelo com maior facilidade de se adaptar aos ''problemas estruturais'' brasileiros. ''As antenas de extensão no Brasil são diferentes de uma casa para outra e temos problemas de qualidade de sinal, bem maior que qualquer país desenvolvido'', exemplificou o professor. O modelo japonês, então, vai permitir sem maiores problemas a aplicação das inovações dos pesquisadores brasileiros. O modelo americano, segundo o professor, foi descartado pois se preocupa essencialmente com a transmissão de alta definição e não com a interatividade, que será o forte no Brasil.
De acordo com Oliveira, a motivação dos analistas brasileiros em pesquisar um sistema próprio foi a possibilidade de deixar a novidade mais interativa. ''Hoje, pesquisas apontam que 90% dos lares, no Brasil, têm acesso à televisão e apenas 10% à internet, como o nosso sistema prima pela interatividade, haverá uma revolução no País'', argumentou. ''A TV Digital é um computador. O usuário terá uma imagem melhor, vai poder escolher as cenas que pretende assistir, fazer compras, deixar um programa gravando e, aqui no Brasil, ainda terá acesso à internet e outros canais de serviço, tudo ao alcance do controle remoto''. Para Oliveira, esse sistema abre ainda possibilidades de um processo de ensino à distância mais forte.
As mudanças, no entanto, não são imediatas e a população não precisa se preocupar. O decreto prevê que a implantação do sistema digital deverá levar sete anos e que o desligamento da versão analógica ocorrerá dentro de dez anos. A princípio, quando o sistema digital for instalado, os usuários terão três opções: assisitir televisão através dos sinais analógicos; acoplar um decodificador (Setop-Box) ao aparelho analógico para receber sinais digitais; ou comprar um aparelho digital. Segundo Oliveira, os aparelhos digitais devem estar à venda até o final deste ano.
Oliveira veio a Londrina a convite da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que pretende realizar uma série de fóruns sobre o novo sistema de transmissão digital.

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