Curitiba - As preocupações com a Copa do Mundo de 2014 não se restringem à infraestrutura de aeroportos e estádios de futebol. Uma das grandes questões é a tecnologia digital que inclui internet, utilização de cartões de crédito e de celulares. A opinião de especialistas na área é que o Brasil teria problemas sérios de segurança digital caso o mundial fosse hoje. A previsão é que o País receba cerca de 1,5 milhão de visitantes. Já existem 750 projetos para incrementar as mais diversas áreas como telefonia móvel, transporte, hotelaria e cartões.
Será necessário criar novas redes para celulares além das bandas de comunicação já existentes. Também haverá necessidade de aumentar o número de caixas eletrônicos, segundo o gerente da IBM para a região Sul, Flávio Carnaval. Ele destaca que, se a Copa fosse hoje, o País teria problemas em hotelaria, transporte, suporte para celulares, internet e até riscos em energia elétrica.
Os crimes relacionados à Tecnologia da Informação também serão outro ponto vulnerável que terá que receber um tratamento especial. De acordo com o perito criminal da Polícia Federal e especialista em alta tecnologia, Rodrigo Lange, terão que ser combatidos com mais intensidade os programas utilizados para copiar senhas e número de agências bancárias.
Além disso, terá que ser dado um tratamento especial para os Botnets - redes de computadores infectados que são comandados à distância. Esse tipo de operação permite enviar spams e instalar programas. Hoje, há cerca de 10 milhões de computadores controlados por Botnets no mundo. ''O crime virtual e os rastros deixados por ele são reais'', destacou. Ele acredita que o Brasil vai enfrentar problemas sérios em segurança digital que podem chegar até a situações como derrubar o site de um hotel para que não possa fazer reservas.
Destacou ainda que hoje 70% das operações bancárias são feitas fora da boca do caixa por meio de terminais de auto atendimento, telefone e internet. Segundo ele, o prazo de quatro anos aparentemente é longo para o Brasil se preparar. Para Lange, o País precisará investir em capacitação, policiais federais, comércio, rede hoteleira e estrutura física.
Ele destacou que segurança vai muito além de só instalar um programa. Lembrou ainda que é mais difícil um banco ser atacado por crimes de tecnologia da informação do que o usuário que acaba sendo o ponto fraco da cadeia.
Esses e outros assuntos foram discutidos ontem no Seminário Copa 2014 do qual participaram cerca de 300 lojistas em Curitiba. O evento foi promovido pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), com o objetivo de preparar o setor nas 12 cidades brasileiras que serão sede dos jogos da Copa do Mundo, na questão de infraestrutura tecnológica, comércio, serviços e rede hoteleira.
O diretor geral do Projeto Copa 2014 da CNDL, Marcelo Castro, acredita que as maiores receitas da Copa devem vir dos setores de turismo e entretenimento. Ele comparou o mundial de futebol a uma guerra porque serão gerados tantos gargalos a serem resolvidos que as soluções terão que sair rapidamente e podem gerar aumento de desenvolvimento e tecnologia para o País.
Segundo ele, a grande demanda será por infraestrutura tecnológica que, se faltar, ''o País para''. Castro prevê que há chances de ocorrer problemas com um serviço ruim nesta área. A saída será apostar muito em planejamento e nos investimentos da iniciativa privada em setores como bancos e operadoras de internet. Já os lojistas terão que ser preparar com internet, máquinas leitoras de cartões e treinamento de funcionários.
Castro acredita que ''talvez a Copa custe mais caro porque vamos deixar para a última hora'' as soluções necessárias. Por outro lado, há um conjunto de oportunidades que crescem só pela expectativa da Copa. Isso alimenta uma cadeia que gera um ciclo virtuoso.

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