Tecnologia brasileira de soja no Iraque
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A tecnologia brasileira para cultivo de soja está sendo empregada na introdução da cultura no norte do Iraque. O pesquisador Paulo Roberto Galerani, da Embrapa Soja, em Londrina, está na região do Curdistão Iraquiano participando do programa SCR 986 - Petróleo por Alimento (Oil for Food), desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Passando uns dias de folga com a família em Londrina, ele se prepara para voltar ao Oriente Médio na próxima terça-feira, apesar da iminência de uma guerra. ''Vivemos em clima de instabilidade, mas a ONU tem um forte esquema de segurança'', contou.
Integrante de um projeto que visa reabilitar a área agrícola local, desenvolvido pela Food and Agriculture Organization (FAO), Galerani ensina técnicos curdos a cultivarem a soja e a desenvolverem pesquisas sobre o grão. A iniciativa visa sanar problemas de desabastecimento enfrentados em vários setores, que afloraram após a Guerra do Golfo, em 1991.
Em sua segunda temporada no Iraque (ele passou um ano no país, entre 2001 e 2002), o pesquisador integra um grupo de 40 consultores internacionais que repassam tecnologias em quatro áreas distintas da agricultura: trigo e cevada, reflorestamento, produção animal e culturas industriais. É nessa última que se concentra o trabalho do brasileiro.
A soja, revelou, tem importância estratégica para os curdos, cuja alimentação é baseada no consumo da carne de frango. ''Eles importam toda a proteína de soja consumida pelos animais'', contou.
Como esse povo nunca havia plantado o grão, o trabalho engloba desde a difusão de técnicas básicas de plantio até o procedimento para testar variedades mais adaptadas. Além disso, os consultores repassam técnicas de pesquisa. Outra frente desenvolvida pelo grupo de culturas industriais é o cultivo de girassol, que visa aproveitar a estrutura de duas fábricas já existentes.
A soja será cultivada no verão, quando o clima é seco e a temperatura chega a 50 graus. Por isso, haverá necessidade de irrigação. Apesar dessa exigência, Galerani acredita que, quando plantado em escala comercial, o grão não terá altos custos de produção. ''Estamos utilizando tecnologias de boa qualidade, como sementes inoculadas e técnicas agrícolas adequadas. Além disso, como é muito quente, ainda não há incidência de pragas, o que dispensa a utilização de defensivos'', observou.
Outra preocupação dos consultores diz respeito ao meio ambiente, já que a introdução de uma nova cultura sempre traz desequilíbrio. Para amenizar o problema, os consultores estão difundindo práticas sustentáveis, como o plantio direto e um programa de manejo de solo. ''É preciso pensar a longo prazo'', analisou.


