Tecnologia brasileira atrai chineses
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de janeiro de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
As tecnologias brasileiras para controle biológico de pragas da soja e o sistema de produção e comercialização de cultivares do grão foram os assuntos que mais chamaram a atenção da missão chinesa que visitou a Embrapa Soja, em Londrina, na manhã de ontem. No encontro entre profissionais chineses e pesquisadores brasileiros, discutiu-se também a possibilidade de firmar um intercâmbio de tecnologias e de pesquisadores entre os dois países.
O pesquisador Amélio Dall'Agnol, da Embrapa Soja, revelou que os chineses ficaram muito interessados no mecanismo de multiplicação das cultivares desenvolvidas pela empresa. ''Eles também perguntaram como fazemos a cobrança dos royalities e qual o processo para as sementes chegarem às mãos dos produtores'', disse.
Outra dúvida foi sobre a possibilidade de haver soja transgênica clandestina sendo cultivada comercialmente no País. Segundo Dall'Agnol, a explicação dada aos chineses é que as sementes geneticamente modificadas vêm da Argentina e, por isso, são adaptadas a climas mais frios. Para ele, é possível haver lavouras transgênicas no Rio Grande do Sul, mas em estados quentes como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás as sementes dificilmente se desenvolveriam.
O Brasil também tem interesse em estreitar as relações com os chineses. De acordo com o chefe geral da Embrapa Soja, Caio Vidor, o estabelecimento de um acordo bilateral seria de grande importância porque a China possui 30 mil materiais do banco chinês de germoplasma (coleção natural de diferentes tipos de soja). O banco da Embrapa é de 5 mil materiais.
Dall'Agnol explicou que as informações do banco seriam utilizadas no programa de desenvolvimento de novas culturas. Os genes permitiriam incorporar novas características às cultivares. Entre os exemplos, ele citou a maior concentração de proteína e óleo, além de resistência à seca.
O intecâmbio beneficiaria também outras unidades da Embrapa. A empresa brasileira se interessa pelos bancos de germoplasma de citrus e suínos, cuja produção é bastante desenvolvida no país asiático.


