Tecnologia bicombustível ainda causa dúvidas
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sábado, 25 de setembro de 2004
Igor Thomaz<br>Agência Estado 
São Paulo - A tecnologia bicombustível está no mercado há mais de um ano, mas ainda tem muito consumidor que não sabe direito como ela funciona. Alguns vendedores de concessionárias atendem, até hoje, clientes que chegam para comprar um carro com motor flexível acompanhados por uma lista recheada de perguntas curiosas.
''Ainda há pessoas que querem saber se esses carros têm dois tanques de combustível ou se eles trazem uma chave comutadora para o uso só do álcool ou só da gasolina, como nos carros a gás natural'', comenta Sammy de Melo, vendedor da Volkswagen Davox. Para ele, apesar da falta de informação de alguns consumidores, a tendência é que esse tipo de dúvida desapareça com o tempo.
Nem mesmo os taxistas, sempre bem informados sobre as novidades automobilísticas, escapam disso. ''Eu não sabia nada sobre esses carros, não entendia como era possível misturar dois combustíveis no mesmo tanque'', confessa José Gerônimo, que comprou uma minivan Chevrolet Zafira há duas semanas para substituir seu antigo táxi. Por enquanto, Gerônimo, que chegou a perguntar se era preciso usar um combustível até o fim para poder colocar o outro no tanque, só está abastecendo seu carro com álcool. ''Ele não é o único que tem dúvidas sobre os flexíveis. Há taxistas que perguntam se o uso do álcool não prejudica a durabilidade da bomba de combustível ao longo do tempo'', explica Paulo Modenuti, consultor de vendas especiais (taxistas e deficientes) da Chevrolet Viamar ABC.
Se os mais experientes têm lá suas dúvidas, os consumidores menos informados têm mais ainda. Apesar disso, a secretária Sandra Mazoni levou adiante seu plano de comprar um Volkswagen Fox Total Flex. ''Não sabia se iria funcionar. Ainda tinha em mente aquele conceito de que carro que anda com álcool tem afogador, essas coisas. Não conseguia aceitar a idéia de que o motor funcionaria bem só com álcool'', diz. Na verdade, ela confessou que ainda não se arriscou a abastecer apenas com o combustível vegetal.
Desconfiança - ''Sempre misturo um pouco de gasolina, pelo menos R$ 20, ainda tenho receio'', afirma a secretária. Além dessa desconfiança, Sandra, antes de comprar seu carro, chegou a pensar que teria de pressionar algum botão para usar só álcool ou só gasolina, ou se teria que mexer em algum ponto do motor. ''Pensei até que havia duas entradas de combustível'', conta. Mas as dúvidas não se limitam à parte técnica.
''Ouvimos perguntas sobre como fica o consumo de um carro flexível, se vale a pena misturar álcool e gasolina e qual a mistura ideal, tudo para preservar a economia'', diz Cláudio Fagnani, gerente de vendas da Fiat Ventuno. É o caso do bancário Claudemir Jorge, dono de um Astra Flexpower. ''Antes de fechar o negócio, queria saber se essa nova tecnologia não prejudicava o consumo com álcool ou com gasolina'', afirma.


