Curitiba - Quem trabalha com tecnologia, está sempre envolvido com o que há de mais novo e moderno na área. Certo? Errado. Para algumas pessoas, trabalhar com tecnologia é conviver com o passado, sem que isso signifique, no entanto, um retrocesso. Algumas máquinas e recursos ainda encontram mercado graças ao preço ou a sua adaptação às novas realidades.
A fotografia analógica, por exemplo, perdeu mercado e mudou de público, mas se mantém graças às classes C e D e a fotógrafos amadores que cultivam a paixão pelo filme. ''Em geral quem tem a fotografia como hobby tem a câmera digital, mas também utiliza a analógica'', conta Moacir Francisco, sócio-proprietário da Vimo Fotografia. Francisco ainda mantém em estoque algumas máquinas fotográficas de filme. ''A saída é pequena, mas acaba atendendo alguns clientes'', justifica. A empresa também faz manutenção de câmeras analógicas e revelação de filmes. No total, o trabalho com a fotografia tradicional representa 10% a 20% do movimento da empresa.
Os filmes e as câmeras, ao contrário do que se possa imaginar, não desapareceram do mercado. A Kodak ainda investe na linha básica de filmes e na comercialização de câmeras de uso único. Esses produtos têm como público-alvo as classes C e D que, segundo a empresa, não migraram para a fotografia digital. A companhia lançou recentemente uma campanha para esse público chamada Sua Casa em Um Clique, no qual o consumidor que juntar duas caixinhas de filmes de 24 ou 36 poses concorre a uma casa no valor de R$ 50 mil ou a 540 prêmios instantâneos.
Já as câmeras descartáveis são destinadas a oferecer conveniência e marcam presença em eventos e pontos turísticos. Estão ali para atender quem esqueceu a câmera em casa e não quer perder a chance de eternizar uma imagem. Para as classes C e D, a Kodak está lançando uma câmera simples, no mesmo estilo da descartável, mas que permite o uso continuo. O produto, denominado EC70, tem preço sugerido de R$ 25.
Willian Silveira trabalha há oito anos com informática. Gerente de uma loja de equipamentos, Silveira compra computadores, monitores e impressoras usadas para consertar e vender. Placas queimadas e equipamentos danificados são vendidos como sucata. Segundo Silveira, computadores com processadores Intel Pentium II e III e outros com velocidade de processamento semelhante são a opção de compra para quem quer gastar pouco para adquirir uma máquina.
Na Big Alves Informática, empresa em que trabalha, um computador completo pode custar de R$ 300 a R$ 800,00, parcelado em até três vezes no cartão de crédito. ''A maior parte dos equipamentos são vendidos para o consumidor final, que procura um equipamento acessível'', explica Silveira. ''Vendemos muito para lojistas. Quem tem um comércio pequeno em geral não quer investir numa máquina nova para realizar tarefas simples, como controle de estoque'', diz.
A empresa também vende peças de reposição, como placas-mãe e memórias, e monitores de 15, 17 e 19 polegadas. Nada de tela plana e LCD. Esse tipo de comércio, no entanto, está perdendo espaço, diz Willian. ''O produto novo está mais barato'', aponta. Os computadores novos também são mais acessíveis já que nos grandes magazines há oferta de crédito fácil para a aquisição.
Demandas
''As máquinas com processadores mais antigos desempenham perfeitamente as funções básicas de um computador doméstico'', explica o professor do curso de Informática da Universidade Federal do Paraná, Heraldo Madeira. No entanto, diz, os usuários tendem a apresentar novas demandas e justificar o uso de equipamentos mais novos e com melhor poder de processamento. ''Os jogos para computador, por exemplo, estão sempre exigindo máquinas melhores'', aponta.
Segundo Madeira, o usuário corporativo é mais conservador na atualização de softwares e do parque de máquinas. ''As empresas tem mais a perder. Uma decisão equivocada nessa área pode até causar prejuízo para a organização'', diz. ''A questão, em relação a tecnologia, é analisar se a que está sendo utilizada é adequada ou não às demandas do usuário'', avalia.
O professor mantém, na UFPR, um acervo único de equipamentos de informática antigos para mostrar aos alunos conceitos da área. ''Os conceitos permanecem os mesmos. O que muda é a miniaturização'', diz. Parte das máquinas mantidas por Madeira foram coletadas na própria universidade. ''Outras instituições fizeram a atualização dos equipamentos e jogaram o que era velho fora. Aqui conseguimos preservar'', conta.

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