Os pecuaristas americanos apostam na tecnologia para reduzir os custos de produção. Nos Estados Unidos o preço da carne teve um reajuste de 30% nos últimos 18 meses em função da alta da cotação do milho. O preço do grão dobrou no período, puxado pelos programas de produção de etanol. A seleção genética está sendo utilizada para reduzir o tempo de confinamento e, consequentemente, da alimentação baseada no grão. Ontem, William Altenburg vice-presidente da americana Genex Cooperative esteve em Londrina para ministrar palestra sobre mercado e qualidade da carne. A empresa tem parcerias no Brasil.
Segundo Altenburg, os Estados Unidos exportam apenas 10% da carne produzida para o mercado asiático, enquanto o restante da produção - 90% - é destinada ao consumo interno. ''Exportamos pouco, mas ganhamos bem porque o preço da carne é cara'', afirmou. Ele acrescenta que a cotação do produto é cerca de duas vezes mais alta do que a da carne brasileira. O rebanho é formado por cerca de 100 milhões de cabeças, das quais 34 milhões são de gado de corte. Principalmente, na Região Norte daquele País, o gado é criado a campo, mas a engorda pré-abate é feita em confinamento.
O milho utilizado na alimentação animal é das melhores qualidades o que, conforme ele, garante boa maciez e textura à carne, alterando levemente o seu sabor. ''Não sei as diferenças entre as carnes americana e brasileira. Mas gosto da carne brasileira, principalmente, dos temperos e dos preparos'', comentou Altenburg. Na avaliação dele, os brasileiros têm muitas terras destinadas à pecuária, boas técnicas de reprodução e baixo custo de produção. ''Nosso interesse é competir com genética e tecnologia para produção'', disse.
O Brasil, a Argentina e a Austrália são os principais compradores de material genético americano, entre sêmen e embriões. Os Estados Unidos seriam os líderes mundiais deste mercado. ''Nestas conferências estão mostrando o desenvolvimento genético para reprodução como forma de melhorar a qualidade da carne produzida e reduzir os preços'', comentou. Segundo ele, a seleção genética garante cerca de 30% menos tempo no confinamento, mantendo o mesmo nível de gordura e maciez da carne.

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