TECNOLOGIA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Marco Feltrin 
Campus Party
Uma festa da cultura digital. Assim pode ser definida a segunda edição da Campus Party Brasil, encerrada ontem em São Paulo. Mais de seis mil viciados em tecnologia ficaram acampados durante uma semana assistindo a palestras e workshops, experimentando produtos e, obviamente, conectados à internet. Mas não é qualquer rede: foi disponibilizada uma conexão de 10Gb, capaz de baixar o conteúdo dos nove milhões de livros da Biblioteca Nacional em menos de dois minutos. A coluna desta semana será dedicada somente ao evento que já virou marca definitiva no calendário de quem se interessa por tecnologia.
Quem faz a festa
Alguns dados divulgados pela organização da Campus Party 2009 mostram ''quem manda'' no evento. Dos mais de 6,5 mil campuseiros inscritos, 36,3% são jovens na faixa etária dos 18 aos 24 anos. Mas eles não estiveram sozinhos na festa, já que 7,6% dos participantes tinham mais de 40 anos. Com relação ao gênero, a grande maioria (cerca de 70%) era de homens. Outro dado curioso: 36% dos participantes não levaram computador para o evento. Entre os mais de quatro mil que foram equipados, 62% usavam desktops, enquanto 38% portavam laptops.
Batismo digital
Uma iniciativa interessante observada na Campus Party foi o 'Batismo Digital', com o objetivo de incentivar as classes menos favorecidas a ter contato com a tecnologia. Segundo a organização do evento, em média 800 pessoas passaram diariamente pelo módulo com 200 computadores, acompanhadas de monitores treinados para despertar o interesse pela sociedade em rede. As atividades prediletas dos novatos foram os jogos e a comunicação por redes sociais. Um exemplo foi Joana Henrique de Lima, 56 anos, que estava encantada com a possibilidade de criar um e-mail e romper os limites da comunicação com o mundo. Depois de fazer um e-mail, adivinha qual foi o segundo passo? Entrar no Orkut!
Toma que o filho é teu!
A palestra mais esperada da Campus Party 2009 foi com Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web (WWW), ''pai da internet''. Ele falou sobre o futuro da rede mundial, deixando claro que a interatividade norteará os rumos da web. ''É muito importante que a internet permaneça aberta. O futuro está nas mãos de vocês. Se o browser que você usa não tem padrões abertos, não use esse browser. Vocês fazem a escolha. Vocês estão no controle'', declarou Lee, ovacionado pelo público. Sobre o uso cada vez mais frequente do celular para acessar a internet, o palestrante foi categórico: ''às vezes eu preciso de coisas dentro do bolso, mas quando chego em casa quero uma tela de 52 polegadas, de resolução perfeita. O importante é que a web funcione de formas variadas''.
Sem medo da web
Quem também tomou o microfone na Campus Party foi cantor e ex-ministro Gilberto Gil, que não só deu uma canja aos acampados mas também falou de tecnologia e internet. Gil deixou claro que não teme o avanço da internet com relação à indústria fonográfica, mostrando que o novo meio deve servir para agregar e não concorrer. ''Eu não tenho medo de deixar de vender disco. Tenho o público que continua comprando, além do que compra cada música via download. Mais do que isso. Quero atingir o que não compra de forma alguma, baixa minhas músicas e, gostando delas, vai a meu show. Não há o que temer''. Está dado o recado.
Faça sua parte
Uma das diferentes atrações da segunda edição da Campus Party foi a área de robótica, que apresentou uma tendência dos softwares livres: o robô com código aberto. O CP01, como foi chamado, ficou durante toda a semana em construção. O visual foi sugerido pelos participantes do evento, que também puderam dar pitacos na construção e programação das peças como coluna e ombros. Só ficaram faltando mesmo as pernas no robô, que possui estrutura de alumínio e revestimento em resina. A versão final foi apresentada no sábado, mas como todo bom software em código aberto, deve passar por alterações.
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