TECNOLOGIA - O bilionário mercado dos robôs domésticos
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de setembro de 2004
Patrícia Campos Mello<br>Agência Estado 
Tóquio - Imagine ter um amigo que entende seus sentimentos, sempre fala a coisa certa e está 24 horas por dia ao seu lado, fazendo companhia. Melhor ainda: se o seu amigo incomodar, basta desligá-lo e guardar na prateleira. No Japão, este amigo já está à venda por US$ 4,6 mil. Trata-se do Ifbot, um robô de comunicação doméstica.
Depois do boom de robôs industriais, que tomaram conta das fábricas e montadoras nos anos 90, chegou a vez dos robôs domésticos, pessoais ou de consumo. Robôs que limpam o chão, cortam a grama, lavam janelas, vigiam a casa, avisam sobre a hora de tomar remédios, dançam e conversam sobre notícias que leram na internet estão se tornando cada vez mais populares. Segundo estimativas da Associação de Fabricantes de Robôs do Japão (Jara), os robôs domésticos terão um crescimento meteórico e devem movimentar US$ 13,6 bilhões em 2010 no mundo todo.
Os robôs de consumo estão em toda parte. Nas estações do metrô de Paris, robôs é que limpam o chão desde 1994. No mundo, mais de 100 mil pessoas têm como animal de estimação o Aibo, o cãozinho-robô da Sony. A pirâmide do Museu do Louvre usa um robô para lavar suas janelas. O Japão realiza um torneio de futebol entre robôs, o RoboCup. Na Exposição Mundial em Nagoya, em 2005, a Toyota pretende apresentar, em seu estande, uma orquestra inteira composta de robôs-músicos. Dentro de pouco tempo, os robôs vão estar em grande parte das casas e vão ser tão importantes quanto a TV ou a geladeira, diz Tsuneo Yoshikawa, presidente da Sociedade de Robótica do Japão.
Os robôs domésticos mais populares são os robôs aspiradores de pó, que circulam sozinhos pela casa e contornam obstáculos. Lançados em 2001, os Trilobite da Electrolux foram pioneiros. Hoje há outros dois fabricantes, iRobot (Roomba) e Kircher, o preço caiu para US$ 200, e quase 500 mil aspiradores robotizados devem ser vendidos neste ano.
Hoje em dia, de todos os robôs existentes no mundo, só 1% é dos chamados robôs domésticos, pessoais ou de serviço, diz Kimiharu Sato, diretor-geral da Associação de Fabricantes de Robô do Japão. Mas nossa previsão é de que esse segmento terá o maior crescimento nos próximos anos. O problema, segundo Sato, é que os robôs ainda são muito limitados e caros.
O especialista Yoshikawa vê os robôs não-industriais atuando em vários campos daqui a 10 ou 20 anos: medicina (cirurgia, reabilitação e enfermagem), bem-estar (assistindo pessoas idosas e deficientes), segurança, resgate (incêndios e terremotos), além de entretenimento (robôs de estimação, guias, anfitriões).
O Japão produz 80% dos robôs do mundo. As máquinas sempre foram encaradas como amigos do homem, desde o mangá com o menino-robô Astroboy, dos anos 50, até o popular Doraemon, gato robô amado pelas crianças.
Já para a economia japonesa, o robô pode ser mais do que um amigo. Ele pode ajudar a reviver uma economia que patina há anos. A robótica foi eleita pelo governo japonês como uma das áreas prioritárias da indústria e vai receber incentivos fiscais e financiamento para pesquisas. Segundo o Ministério da Economia do Japão, a indústria de robôs deve movimentar US$ 43,7 bilhões em 2025.
A repórter viajou a convite do Consulado do Japão


