São Paulo - No mês que vem, o estouro da bolha de tecnologia vai fazer sete anos. A Maplink, empresa especializada em mapas eletrônicos, surgiu três meses depois daquele abril de 2000. ''A idéia inicial era explorar a publicidade online'', disse Frederico Hohagen, diretor comercial e um dos fundadores da empresa. ''Percorremos todas as agências, mas o mercado não tinha um décimo da maturidade que tem hoje.'' O site, que tinha cinco sócios individuais e o UOL como investidor, enfrentou um momento difícil que durou até o começo de 2001, quando percebeu que o dinheiro estava em outro lugar. ''O modelo de negócios viável era personalizar mapas para clientes'', explicou o executivo, que é irmão de Alexandre Hohagen, diretor-geral do Google Brasil. ''Um banco que gostaria de colocar em seu site um localizador de agências, por exemplo.'' O primeiro cliente foi o Planeta Imóvel e hoje a empresa tem 2 mil clientes ativos.
A empresa começou com mapas de cinco cidades e hoje tem mais de mil. No fim de 2003, o UOL deixou de ser acionista, mas o Maplink continua a ser hospedado no portal. Além do site de mapas e dos produtos personalizados, a empresa produz os CD-ROMs e o navegador do ''Guia 4 Rodas''. ''Vendemos 15 mil navegadores até dezembro.''
A Maplink acredita que este é o momento de retomar o modelo de negócios inicial, de venda de publicidade, sem abandonar o atendimento ao cliente corporativo, que é a principal fonte de receita da empresa. ''A estratégia de venda de publicidade agora está muito mais madura'', disse Hohagen.
A empresa acompanha a tendência de Web 2.0, em que a Internet, no lugar de somente informação, passa a oferecer serviços para o usuário. ''A Web 2.0 traz um benefício grande para o mercado'', afirmou o diretor da Maplink. ''O usuário pode interagir e agregar serviços. A Internet se torna mais democrática.''
A Web 2.0 coloca o poder nas mãos do consumidor. Uma campanha negativa feita por pessoas comuns em serviços de comunidade como o Orkut, de compartilhamento de vídeos como o YouTube, em blogs e listas de discussão pode trazer grandes danos para uma marca. O I-Group, que oferece cursos e consultoria digital, criou uma metodologia chamada I-Brand, para avaliar a saúde das marcas no ambiente online, em que as pessoas expressam sua opinião.
O mercado brasileiro mudou muito desde o estouro da bolha. Naquela época, as empresas faziam planos de abrir o capital na bolsa eletrônica americana Nasdaq. ''Nos últimos três anos, houve uma explosão de aberturas de capital de empresas brasileiras de tecnologia no bolsa local'', apontou David Thomas, diretor da Intel Capital para a América Latina. ''Existe muito interesse internacional pela América Latina e, em particular, pelo Brasil.'' Segundo o executivo, a onda de aberturas de capital foi incentivada por fatores como a melhora na regulamentação e pela queda de juros.

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