Cento e oitenta mil microvespas foram soltas nas propriedades rurais da bacia do rio Toledo, cadastradas no Programa de Manejo Integrado de Pragas da Soja (MIP-Soja). As microvespas foram produzidas no laboratório da prefeitura de Toledo, instalado na comunidade de Linha Gramado, e visam fazer um controle biológico do percevejo, que ataca as lavouras de uma forma mais intensa neste período do cultivo.
Implantado na safra 97/98 o programa abrange a bacia do rio Toledo, que fornece água para o abastecimento da cidade, numa área de 6.500 hectares, envolvendo 240 produtores rurais. Destes, 18 se inscreveram e receberam as microvespas para o combate ao percevejo, em áreas estratégicas, permitindo não somente o atendimento da sua, mas também de propriedades vizinhas.
Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, André Angonese, nesta semana foi solto o último lote de insetos, com acompanhamento de técnicos da Emater e da Secretaria Municipal de Agricultura, que juntamente com outras entidades apoiam o programa.
O programa MIP-Soja consiste na redução do uso de produtos agroquímicos nas lavouras, preferindo fazer um controle natural e com a utilização de produtos biológicos e fisiológicos para o controle das pragas. Com isso diminuem os danos ao homem e ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que é garantida a produção.
Desde que o programa foi implantado, informa o secretário do Meio Ambiente, ‘‘a produtividade tem se mantida a mesma, se comparada a outras áreas de cultivo convencional, com a redução de custos aos produtores na compra de produtos químicos, além de benefícios à saúde do produtor e ao meio ambiente’’.
O controle da lagarta é feito com um produto natural produzido com a própria lagarta - o baculovírus - e do percevejo, outra praga que ataca as lavouras, com o uso da microvespa. A vespinha é uma parasita do percevejo e a sua proliferação e eficiência são maiores se não forem usados produtos nas lavouras que a mate.
Para Angonese, é necessário uma conscientização maior dos produtores, que ainda não estão absolutamente convencidos da eficiência do método e da necessidade de utilizar estas alternativas, visando reduzir os danos provocados pelos agrotóxicos ao homem e ao meio ambiente. ‘‘O produtor precisa mudar a mentalidade, mas temos consciência que não vamos conseguir mudar em quatro anos uma cultura de 20 anos’’, comentou o secretário.
O secretário disse, no entanto, que o programa deverá prosseguir, contando com a adesão dos produtores interessados, até que seja estendido e consolidado na bacia do rio Toledo e posteriormente às demais bacias hidrográficas que fazem parte do município. ‘‘O programa tem despertado o interesse de municípios vizinhos pela sua eficácia e benefícios ao homem e à natureza’’, conclui Angonese.

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