BRASÍLIA - As taxas de juros dos financiamentos agrícolas da safra de verão 1997/98 devem ficar em 9,5% ao ano, segundo a proposta dos técnicos do governo para o Plano de Safra 97/98. Para os pequenos agricultores com crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), as taxas poderão ser fixadas em 6,5 ao ano. A proposta será debatida dia 10 com representantes de entidades ligadas ao setor agropecuário e do Fórum Nacional de Agricultura (FNA), secretários de Agricultura da Região Centro-Sul e Frente Parlamentar da Agricultura.
O volume total de recursos deverá ficar em torno de R$ 8 bilhões, embora existam estimativas que superam os R$ 10 bilhões. ‘‘O ministro Arlindo Porto vai anunciar um número que tenha possibilidade de ser ultrapassado ao final da safra’’, garantiu um de seus assessores próximos.
A idéia de ampliação dos limites de financiamentos para algumas culturas ainda está em discussão, mas o governo já desistiu de elevar os limites para o café e a cana-de-açúcar de R$ 30 mil para R$ 150 mil. Deverá haver aumento do limite de custeio da soja dos atuais R$ 30 mil para R$ 90 mil. Está em estudo o aumento do limite de crédito e do preço minimo do milho. Tudo vai depender das projeções sobre comportamento do mercado daqui até fevereiro. Se estudos disserem que o preço vai subir, o estímulo será menor.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defende a extinção dos limites por culturas, mas o governo entende que, se permitir a livre escolha dos bancos, eles acabarão privilegiando alguns clientes, deixando de atender os agricultores que precisam dos empréstimos.
Ajustes A proposta do governo será debatida em três diferentes reuniões, em que o ministro Arlindo Porto apresentará as idéias de consenso entre os técnicos do ministério. No dia 11, o ministro apresentará ao grupo de coordenação de política agrícola as sugestões recebidas nas reuniões do dia 10, e já na quarta-feira deverá anunciar as medidas aprovadas pelo grupo.
Todos os ajustes do Plano de Safra terão de ser aprovados na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) no final do mês, mas como o grupo de coordenação de política agrícola tem representantes da área econômica do governo, as medidas aprovadas normalmente têm o aval dos ministros que integram o CMN.

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