Técnicos iniciam vistoria para laudo ambiental
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Técnicos da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudersha) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) devem visitar hoje a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). O objetivo da visita será analisar o solo e o lençol freático da propriedade para expedição do licenciamento ambiental. Esse laudo foi pedido pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) para avaliar o impacto ambiental no caso do enterro das cerca de 1,8 mil cabeças no local.
O sacrifício de todo o rebanho já é dado como certo. Na reunião, marcada para o 11 de janeiro, entre o governo estadual e o Conselho de Sanidade Animal (Conesa) seria definido apenas a data do abate e onde esses animais seriam enterrados. O gerente da fazenda André Carioba Filho disse que não irá aceitar que os bovinos sejam enterrados em sua propriedade e promete acionar a Justiça, na segunda-feira, para suspender o sacrifício. Ele quer a realização de novos exames e a comprovação de que há vírus de aftosa circulante na fazenda.
Na quarta-feira, a reportagem da Folha visitou a Fazenda Cachoeira, que tem 1.418 alqueires. Deste total, 46 alqueires são só de água, com 22 represas e várias minas d'água. Essas nascentes são afluentes do Rio Congonhas que, por sua vez, desemboca no Rio Paranapanema. Segundo cálculos preliminares de Carioba Filho seriam, pelo menos, 700 toneladas de carcaça enterradas no solo para decomposição.
Há o temor de que essa matéria orgânica contamine a água, que é potável segundo laudo da Universidade Estadual de Londrina. Os mananciais internos ainda abastecem as famílias que moram no local (cerca de 70 pessoas) e os animais. Além disso, a água é aproveitada na irrigação de toda a área plantada de soja e milho que soma mais de mil alqueires. Aliás, a irrigação é outra preocupação do gerente da fazenda. Os encanamentos para irrigação e para o abastecimento estão sob o solo e teriam que ser quebrados para a construção da vala séptica.
Contra a União - O advogado do proprietário da fazenda Ricardo Jorge Rocha Pereira deve impetrar na segunda-feira uma ação contra a União. O pedido será para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apresente todos os laudos dos exames realizados até agora e o porcentual de proteínas não estruturais do vírus de cada animal. Para confirmar o foco de afotsa na Cachoeira o Mapa usou a vinculação epidemiológica (177 cabeças foram trazidas de Eldorado, MS, onde foram confirmados vários focos da doença) e a sorologia positiva nos exames de EITB (que analisam as proteínas não estruturais do vírus) em 11% das 209 amostras colhidas.
Além disso, serão pedidos exames sorológicos em todos os bezerros que nasceram na propriedade depois de julho e, portanto, que não receberam nenhuma dose de vacina. O objetivo desses exames é comprovar que não há vírus circulante na propriedade. ''Iremos requerer a suspensão do sacrifício até que se prove de fato que há aftosa'', afirmou. A intenção é propor uma ação semelhante à já impetrada no MS, em favor da Fazenda Bonanza.
Naquele Estado, a Justiça Federal impediu o abate dos animais até que o Mapa prove a existência do vírus na propriedade. ''Se for comprovada a presença do vírus na propriedade não iremos nos opor ao abate, mas não deixaremos que animais sejam enterrados no local. Se não for comprovada, o abate nem poderá ser feito porque, nesse caso, a indenização seria paga indevidamente. É crime de improbidade administrativa'', salientou.


