Campinas - O Centro de Citricultura Sylvio Moreira, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, informou ontem que detectou a causa da nova doença nos pomares citrícolas comerciais paulistas: é o greening asiático. A praga é originária na China e praticamente inviabilizou pomares comerciais daquele país, espalhando-se em seguida por países orientais. O Fundo de Desenvolvimento da Citricultura (Fundecitrus) comunicou que só irá se manifestar sobre o assunto hoje. A Agência Estado apurou que existe divergência quanto ao fato de a doença ser o greening asiático ou uma variação dela.
Técnicos do Centro de Citricultura, liderados pelo diretor Marcos Antônio Machado, analisaram amostras de plantas contaminadas e chegaram à conclusão de que se trata da doença, causada pela bactéria Candidatus Liberibacter Asiaticum, que ataca o sistema vascular da planta (neste caso o floema - artérias responsáveis por carregar os nutrientes). O vetor da doença é um psilídeo da espécie Diaphorina citri, inseto comum nos pomares que suga o floema da planta onde fica a bactéria.
Segundo a Secretaria da Agricultura, esse vetor é endêmico no Estado de São Paulo desde a década de 60. Para Machado, existe outro tipo de greening encontrado na África, o Candidatus Liberibacter Africanum. Nos dois casos, a doença é considerada uma praga quarentenária A1, isto é, inexistente até então no Brasil. ''É uma doença da copa, assim como a CVC, e que portanto ataca todos os tipos de árvores'', afirma.
Para avaliar a amplitude da doença e sua evolução, o secretário de Agricultura e Abastecimento, Duarte Nogueira, determinou que a Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, junto com o setor produtivo e o Fundecitrus, iniciem um levantamento das áreas afetadas, já que as primeiras árvores contaminadas foram detectadas em 11 municípios da região Centro-Sul paulista. ''Temos de determinar onde a doença está para depois calcularmos o prejuízo e as medidas a serem tomadas'', afirmou o secretário.
A doença afeta o crescimento do fruto, que apresenta deformação comprometendo a columela (porção central branca do fruto) e cai com facilidade, afetando a produção. ''É uma ocorrência nova nos nossos laranjais, mas estamos certos de que, a exemplo de outras doenças, seremos capazes de superá-la, em trabalho conjunto do setor produtivo e do governo do Estado'', disse Nogueira.

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