Técnicos garantem energia na Copa
Técnicos garantem energia na Copa
Agência Estado
Durante a realização dos jogos do Brasil no Mundial da França, milhares de brasileiros estarão de olho na televisão torcendo por Ronaldinho e companhia. Enquanto isso, os funcionários das empresas de energia elétrica deixarão a partida em segundo plano para prestar atenção em seus equipamentos e acompanhar de perto a oscilação no consumo. Quando começa o jogo, o consumo cai violentamente para, ao final da disputa, voltar ao normal. Se essas mudanças de tensão na rede de transmissão não forem bem realizadas, pode haver blecaute. Os técnicos do setor garantem, no entanto, que tudo está previsto para funcionar bem e, a não ser que ocorram acidentes graves, o torcedor vai ter de se preocupar apenas com o time de Zagallo.
O mercado consumidor brasileiro cresce cerca de 6% ao ano e o Brasil vive atualmente um déficit no abastecimento de energia. Esse desequilíbrio entre oferta e procura não chega a provocar o corte do fornecimento na maior parte do País. Mas reduz, no entanto, a chamada reserva técnica, capaz de garantir o fornecimento no caso de acidentes graves ou picos incomuns de consumo. A margem de risco de blecaute, está cada vez mais estreita.
A demora na ampliação da capacidade de produção, por falta de investimentos, ajuda a agravar o problema. Mas existe também uma preocupação com relação ao volume de água necessário para que haja a produção plena por parte das usinas. O período de chuvas no Centro-Sul do País acontece de outubro a abril. Com um volume de água maior nos reservatórios de cabeceira dos rios, as usinas têm pressão suficiente para trabalhar com sua total capacidade, sem que seja preciso recorrer às termoelétricas.
Nesta época do ano, quando as chuvas diminuem, são utilizados os estoques dos reservatórios das hidrelétricas, cuja quantidade armazenada, precisa garantir pressão suficiente para movimentar os geradores e produzir eletricidade. Em 1997, no final da estação seca, havia ainda 67% das reservas de água em estoque, contra 42%, no mesmo período, em 1996. Este ano, espera-se um desempenho melhor que no ano passado, uma vez que o sistema conta, no momento, com cerca de 84% de sua reserva.
O diretor de Operações da Eletrobrás, Mário Santos, informou, durante entrevista coletiva, na última quarta-feira (dia 3), no Rio, que a empresa vai tomar medidas de precaução para evitar cortes de energia elétrica nos dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo. A segurança dos técnicos com relação à Copa do Mundo se deve a um processo que recebe o nome de Gestão de Energia.
Por meio de exercícios simulados, e com a experiência acumulada em eventos anteriores, a equipe de plantão em cada distribuidora vai diminuindo a carga na rede de acordo com a queda no consumo e, ao final do jogo, vai religando o sistema de forma rápida e cuidadosa.





