A biologia do solo é o único recurso disponível para garantir a fertilidade em lavouras cultivadas por pequenos agricultores familiares da América Latina. A afirmação é de Carlos Fragoso, coordenador do Instituto de Ecologia do México. Ele participa, em Londrina, de um workshop sobre o ''Uso da macrofauna do solo na agricultura do século XXI''. O evento começou entem e termina no dia 12, em Londrina. A promoção é do instituto mexicano e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja).
Os 25 professores e pesquisadores de sete países ibero-americanos que participam do workshop concluem amanhã as discussões relativas ao conteúdo de um livro sobre a macrofauna do solo, que será publicado até o início do próximo ano.
A intenção do grupo é elaborar um guia que irá auxiliar na formação de profissionais, estudantes e organizações não governamentais (ONGs) que estudam biologia, agronomia e ciência do solo. ''O objetivo é facilitar o acesso à informação'', comentou Fragoso, lembrando que a edição, em espanhol, será acompanhada com um CD contendo muitas fotos. A idéia, segundo os organizadores, é viabilizar também uma edição em português.
A publicação é um dos frutos do grupo de macrofauna de cooperação técnico-científica ibero-americana. Há mais de quatro anos, eles estudam minhocas, formigas, cupins e corós, que formam a macrofauna do solo. ''Esses macro-organismos são os engenheiros do solo'', comparou George Brown, pesquisador da Embrapa Soja e palestrante do evento.
Os bichos se movimentam, criam buracos, agregados e até se alimentam do solo. Esse processo, segundo o especialista, protege da erosão, facilita a absorção de água e melhora a estrutura física.
Segundo o especialista, existem milhares de espécies desses organismos, sendo que alguns deles são imprescindíveis para a manutenção da qualidade do solo. Outras espécies, no entanto, são pragas que afetam diretamente a agricultura e precisam ser controladas. Entender como ocorre o equilíbrio dessa macrofauna e estabelecer indicadores para a presença ou ausência desses organismos no solo é um dos objetivos da pesquisa.
Brown recomenda que os produtores consultem um especialista antes de tentarem eliminar organismos que classificam como praga. ''Nem sempre é necessário'', justificou. Outra dica é tomar alguns cuidados, no manejo, para preservar a biologia.
O sistema de plantio direto é o mais adequado para conseguir o equilíbrio biológico. Além disso, manter o solo coberto é fundamental para garantir alimentos aos animais, reduzir a perda de água e evitar a erosão. Por fim, a rotação de culturas é indicada para oferecer variedade de recursos ao solo e reduzir a proliferação de pragas. ''Esses cuidados refletem em redução de custos'', afirmou.

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