A terceira edição do seminário sobre o sistema de metas para a inflação foi marcada pelo tom político dado pelos palestrantes aos temas econômicos. Ex-dirigentes do BC, como Affonso Celso Pastore (ex-presidente), Daniel Gleizer (área internacional) e Sérgio Werlang (política econômica), cobraram dos candidatos à Presidência o compromisso de manter o sistema de metas para a inflação e a responsabilidade fiscal.
Para Daniel Gleizer, o BC precisa conquistar autonomia operacional ‘‘institucionalizada’’ (definida por lei) para ter a credibilidade necessária ao cumprimento de suas metas (de inflação). Segundo ele, muitas das incertezas do mercado hoje se devem à falta de garantia de que políticas implementadas pelo BC, como o sistema de metas de inflação, serão mantidas por governos futuros. ‘‘Essa fragilidade fica patente em ano eleitoral, quando algum candidato não tem o compromisso de manter certas conquistas.’’
Pastore abriu sua exposição com uma piada sobre a sobrevivência do sistema de metas de inflação no país. ‘‘O grande desafio do ‘inflation target’ [meta de inflação] no Brasil é termos o quarto, quinto e sexto seminário’’, disse. Para ele, o grande entrave ao crescimento econômico do país hoje é o alto endividamento, que, para ser reduzido, exige necessariamente uma política fiscal austera, com obtenção contínua de superávits primários (receitas menos despesas, sem incluir gastos com juros).
O economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kenneth Rogoff, que também participou do seminário, defendeu o sistema de metas e disse que a manutenção da política fiscal é muito importante para o Brasil, dado o seu alto endividamento. Ele reconheceu que o combate à inflação, objetivo maior do BC, é fundamental para o país.
(Agência Folha)

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