Técnicos debatem produção do milho
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quarta-feira, 28 de julho de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Às vésperas do início do plantio de milho para a nova safra de verão, produtores e técnicos de todo o Estado participaram ontem de um encontro, na Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, para discutir a cadeia produtiva do milho.
Representantes dos governos estadual e federal e técnicos da área falaram sobre a conjuntura, perspectivas do mercado nacional e internacional de milho, tendência de plantio na safra normal 2004/05, atual estágio tecnológico da produção e tendências climáticas para a safra de verão.
''A idéia é discutir toda cadeia produtiva, para ver o que devemos fazer para a próxima safra 2004-2005. Estamos levantando subsídios para ver o que plantar, quais os custos de produção, os preços de mercado, se há crédito suficiente para custeio'', explicou o secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, presente na abertura do evento, organizado pela secretaria, Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Os produtores reclamam de prejuízos com a produção de milho. Grande parte dos agricultores paranaenses amarga as perdas com o milho safrinha, que teve uma quebra de 721 mil toneladas em sua produção por causa da estiagem prolongada do início do ano, geadas e granizos no inverno. Somada às perdas com áreas e redução das plantações, o Paraná deve fechar 2004 com uma produção de aproxidamente 12 milhões de toneladas, ou seja, 2 milhões a menos que em 2003, quando teve uma safra recorde de 14,4 milhões de toneladas.
Os produtores também não estão satisfeitos com o alto custo de produção e do preço atual do milho no mercado. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à secretaria, mostram que em média o preço dos insumos aumentaram 25% de janeiro de 2003 a janeiro deste ano. Os dois itens que tiveram maior aumento no período foram sementes (57%) e agrotóxicos (24,3%).
O problema é que o investimento tem rentabilidade bem inferior a outras culturas, como a soja e o trigo, por exemplo. ''Para produzir 80 sacas por hectare, o produtor gastou R$ 10 por saca. Só que ele está colhendo em média 57 sacas por hectare e está vendendo a saca a R$ 14. Está empatando custo com a receita'', explica o engenheiro agrônomo do Deral, Norberto Ortigara. Com isso, a área de plantio de milho no Estado vem perdendo espaço para o cultivo de soja e a perspectiva é que reduza mais 5% de sua área que em 2003-2004 foi de 2,5 milhões de hectares para a próxima safra.
É o que está fazendo o engenheiro agrônomo Rubens Pimenta de Pádua, que plantou 41 hectares na primeira safra de milho. ''Já colhi umas 4 mil e poucas sacas. Vendi quase tudo, mas ainda tenho uns 30% da produção para vender. Mas está estocado esperando preço melhor'', diz. Em média, ele vendeu o produto a R$ 18 a saca, mas agora o mercado está em R$ 14.


