Curitiba - O governo do Estado ainda não sabe qual será o projeto encampado para reduzir os gargalos ferroviários do Paraná. Especialmente na região entre Guarapuava e Desvio Ribas (em Ponta Grossa). Há cinco anos, técnicos iniciaram um estudo com vistas a melhorar a trafegabilidade pelas ferrovias paranaenses, fortalecendo a ligação entre o Oeste e o Porto de Paranaguá. O ex-interventor da Ferroeste, Saulo de Tarso, apresentou um projeto que poderá melhorar o fluxo e transformar a ferrovia como uma porta de entrada de produtos e grãos de outros países do Mercosul no Paraná. O investimento seria de US$ 442 milhões (mais de R$ 1,3 bilhões) para a melhoria, construção e remodelação de 371 quilômetros de ferrovias.
''O que queremos com o projeto é transformar a região de Cascavel semelhante a de Londrina e a de Maringá, criando condições para que as empresas busquem a produção pela oferta e pelo frete. Não pela facilidade'', observou ele. O projeto melhora a tração das locomotivas em até 116,67%. Estudos demonstram que 78% das cargas de Cascavel e região vão para Paranaguá e São Francisco do Sul (SC). Apenas 18% iriam para o Desvio Ribas - o que demonstraria que investir apenas neste ramal ferroviário seria um erro a curto prazo. Com o projeto apresentado, um trem que transportaria no trecho Paranaguá-Iguaçu 540 toneladas poderia fazer o mesmo trajeto com 1.170 toneladas.

No caso de Guarapuava - Desvio Ribas, a intenção é fazer uma rampa de exportação de 1,5% e raio de 400 metros. Com isto, um trem com tração para carregar 760 toneladas passaria a carregar 1400 toneladas. ''O novo traçado melhora a geometria, o desempenho da frota e reduz custos. Todo o projeto ainda reduz a extensão de Guarapuava a Paranaguá de 742 quilômetros para 644 quilômetros'', ponderou o técnico. O novo traçado sugerido no projeto está sendo chamado de Corredor Oeste e já conta com recursos garantidos no Orçamento da União. ''O Contorno é essencial porque reduz o tempo de percurso, traz economia de combustíveis, melhora a frota ferroviária e faz com que menos caminhões transitem pelo Porto de Paranaguá. Ele é positivo a médio e longo prazos''.
A navegabilidade dos rios e o uso de portos em águas doces também foi pauta da reunião de ontem, entre técnicos do setor de transporte do Paraná. O conselheiro Albino Tramujas, da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, mostrou o projeto de navegabilidade Transmercosul - que visa o uso de Intermodais Hidrovia Tietê-Paraná até a Bacia do Prata. Os assuntos deverão voltar ao debate numa visita que a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, fará ao Paraná neste mês. A vinda da ministra foi acertada entre o governador Roberto Requião e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, logo após o resultado das eleições.
A Ferroeste foi construída entre 1991 e 1994, durante a primeira gestão de Requião e contou com mão-de-obra de dois batalhões do Exército Brasileiro. A obra custou, na época, cerca de US$ 363 milhões - o equivalente a R$ 1 bilhão em valores atuais. O diretor de logística da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Camargo, quer urgência na resolução do problema. ''Enquanto se discute o tema há cinco anos, o produtor paga a conta de uma safra tendo que ser escoada de forma precária ou pelas rodovias'', alegou. Para ele, a solução do problema poderia passar por ações simples de correção de rampas e reparo nos trilhos, com investimentos de R$ 90 milhões.
Hoje, o custo do transporte ferroviário é cerca de 35% mais baixo do que o rodoviário.

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