Curitiba - Sem avanços nas negociações feitas junto ao governo federal, os técnicos da Receita Federal de todo País, que já paralisaram suas atividades nos últimos três dias, fazem na próxima semana mais três dias de greve, a partir de terça-feira. Nas sete delegacias da Receita no Paraná, os empregados manterão o esquema de atendimento ao público apenas em situações de extrema urgência.
Os técnicos não estão satisfeitos com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou, anteontem, a edição da Medida Provisória que cria a nova Receita Federal do Brasil. O novo órgão, chamado de Super Receita, é resultado da junção da atual Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, ligada ao Ministério da Previdência.
Os técnicos não são contrários à criação da Super Receita, mas esperavam que o governo levasse em conta a reivindicação da categoria. Além de reclamar da falta de transparência do governo na criação do novo órgão, eles esperavam que, com a fusão, fosse criado um único Plano de Cargos e Salários para técnicos e auditores da Receita, o que daria mais condições aos técnicos de ascenção na carreira. Eles reclamam que os técnicos exercem praticamente as mesmas funções que os auditores, mas recebem salários 50% menores.
Segundo o presidente do presidente do Sindicato dos Técnicos da Receita (Sindireceita), Paulo Antenor de Oliveira, a paralisação atingiu 100% dos técnicos do Paraná. Além de cessar o atendimento ao público nas delegacias, a greve também compromete a fiscalização e liberação de bagagens, mercadorias e documentos na fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu, no Porto de Paranaguá e no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Para o novo ministro da Previdência, Nelson Machado, que tomou posse anteontem, a criação da Receita Federal do Brasil facilitará o combate ao déficit nas contas da Previdência.

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